Bridgestone investe 1 bi em Santo André e lança novo pneu em meio a incertezas

Bridgestone transformou planta no ABC em centro de alta tecnologia para pneus de carga e exportação. Tarifaço de Trump atrapalha planos

Crédito: Lafaiete Oliveira, country manager da Bridgestone no Brasil (imagem: assessoria).

A Bridgestone, uma das principais indústrias do setor de mobilidade no Brasil, acaba de lançar um novo produto, o pneu  R167E. O lançamento é resultado  do vultoso investimento realizado na planta de Santo André, no ABC Paulista. Nos últimos três anos, os aportes na fábrica atingiram a marca de R$ 1 bilhão, capital esse destinado não apenas à manutenção, mas sim a uma completa reorganização do Footprint Fabril da companhia no Brasil.

A estratégia visou concentrar a produção de pneus de veículos de passageiros na Bahia e transformar a unidade de Santo André em um polo de excelência, focado integralmente em pneus de carga. Os recursos foram essenciais para desenvolver equipamentos e processos, garantindo que a fábrica se tornasse moderna e totalmente reformada. Para receber as novas máquinas, que são de última tecnologia na construção de pneus de caminhão, foi preciso, inclusive, desfazer e refazer o prédio, já que o pé direito original não atendia às necessidades dos equipamentos.

O investimento bilionário na planta de Santo André foi realizado com base em um planejamento de longo prazo, cujo foco principal é a exportação de produtos. Lafaiete Oliveira, country manager da Bridgestone no Brasil, destacou que a modernização posicionou a unidade brasileira para competir globalmente, mas ressaltou que fatores externos precisam ser superados:

O mercado de pneu é um mercado de escala, que passa por termos os três pilares de mercado: equipamento original, mercado de reposição e exportação. Depois do investimento, nossa planta está extremamente preparada para produzir pneus de alta tecnologia e exportação. Não tem outra fábrica no Brasil que tem as máquinas que nós temos em Santo André. Porém, estamos vivendo um momento de muita incerteza sobre nosso futuro e o mercado de exportação”.

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Lafaiete Oliveira, country manager da Bridgestone no Brasil (imagem: assessoria).

O líder da Bridgestone no Brasil aponta que a taxa de juros elevada atualmente aplicada no país e a nova política de taxação americana tornam o cenário mais difícil para a operação. “Essa nossa planta estava pronta para uma exportação de aproximadamente 500 mil a 600 mil pneus anualmente para os Estados Unidos. Infelizmente, nós estamos enfrentando agora um cenário por conta do ‘tarifaço’ de 50%, gerando uma incerteza muito grande em relação ao futuro para o mercado americano. Estamos no impasse, mas continuaremos na nossa luta, porque o Brasil está preparado para isso, e a fábrica de Santo André é extremamente competitiva”, 

Bridgestone vence a concorrência desleal com a estratégia de qualidade

Além da incerteza externa, o mercado nacional enfrenta desafios impostos pela concorrência de produtos importados de baixo custo. O segmento tem sofrido nos últimos quatro anos com uma “inundação” de pneus asiáticos de baixo preço e baixa qualidade que não seguem as mesmas regulamentações e critérios exigidos dos fabricantes nacionais. Essa situação tem impactado negativamente os fabricantes locais, com a queda no número do mercado de reposição.

Marcos Aoki, diretor de vendas da Bridgestone no Brasil, explicou a estratégia da empresa para competir nesse cenário, focando no custo-benefício de longo prazo e na qualidade. “A gente acaba trabalhando através da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), junto com o Governo para tentar regulamentar essa questão de entradas de pneus de baixo custo e de baixa qualidade“, comentou. 

Outra aposta da companhia, segundo o diretor comercial, é transmitir a mensagem de que ‘o barato sai caro’. “Muitas vezes você compra um pneu de baixo preço, mas ele terá um alto custo total, pois será usado uma única vez. Um pneu premium como o nosso oferece recapabilidade, permitindo rodar bem na primeira vida e usar a carcaça para recapar uma ou duas vezes, o que diminui o custo por quilômetro”. 

Atualmente no Brasil, o segmento que tem a menor penetração de pneus importados é o segmento urbano, onde o novo pneu R167E está inserido. “O frotista monitora e controla a performance rapidamente, percebendo a diferença de qualidade”, reforça Marcos Aoki.

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R167E criado com tecnologia de ponta

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Novo pneu R167E da Bridgestone.

O lançamento do novo pneu R167E, voltado para aplicações urbanas (como ônibus, caminhões de lixo ou betoneiras), serve como a principal demonstração de que os planos de longo prazo e os investimentos na planta da Bridgestone de Santo André estão sendo executados, a despeito dos desafios econômicos nacionais e internacionais.

Roberto Ayala, gerente de engenharia de vendas da Bridgestone, comentando sobre o novo pneu, detalhou as inovações que justificam o posicionamento premium do produto e sua origem tecnológica, fruto do investimento da empresa no país.

Segundo o engenheiro, “o R167E representa a renovação total da nossa linha urbana, sendo um produto robusto e eficiente, fruto dos anos de conhecimento de mercado e dos novos processos instalados em Santo André. Conseguimos entregar um pneu que oferece até 20% mais quilometragem em relação à geração anterior, garantindo maior performance e redução de custos operacionais”.

Conforme apresentado com exclusividade a jornalistas que cobrem o setor, a nova carcaça reforçada proporciona mais recapabilidade e prolonga a vida útil do pneu. “Para garantir a durabilidade, incorporamos a exclusiva tecnologia, com aletas na região do talão, que contribui para reduzir a temperatura, diminuindo a degradação da borracha”, acrescenta Ayala.

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Jornalistas acompanham lançamento do novo pneu da Bridgestone.

Além de ser focado na durabilidade e resistência que o transporte urbano exige, o R167E já nasce preparado para o futuro da mobilidade, com compatibilidade para veículos elétricos na medida 295/80R22.5.

Obviamente que o investimento de R$ 1 bilhão não serviu apenas para este pneu, mas se estende para outros produtos que deverão encorpar o catálogo da Bridgestone nos próximos anos, aproveitando a nova tecnologia instalada. 

A empresa reforça que, apesar das dificuldades apresentadas, a fábrica de Santo André está com capacidade de produção, tecnologia, qualidade e competitividade, pronta tanto para o mercado internacional quanto para o mercado interno. A Bridgestone Brasil exporta também para outros países da América Latina, Europa e para o mercado asiático, mas os Estados Unidos são, sem sombra de dúvidas, o maior mercado de exportação da empresa.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 26/09/2025
  • Fonte: Fever