BRB-Master: grandes bancos tentam desacelerar nova força no sistema financeiro brasileiro
Concentração bancária e ofensiva midiática revelam resistência dos gigantes à ascensão de novos players
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 02/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O sistema financeiro brasileiro vive um momento de tensão e reposicionamento estratégico. A recente compra de 58% do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 3,5 bilhões, reacendeu debates sobre a concentração bancária no país e as estratégias nem sempre explícitas dos grandes bancos para manter sua hegemonia.
O acordo entre o BRB, um banco estatal de porte regional mas com aspirações nacionais, e o Banco Master, conhecido por sua expansão agressiva nos últimos anos, tem o potencial de alterar dinâmicas consolidadas há décadas no setor. O movimento criou desconforto evidente entre os chamados “bancões”, que enfrentam um mercado cada vez mais pressionado por fintechs, digitalização e mudanças no comportamento dos consumidores.
Uma ofensiva de peso
O que chama a atenção não é apenas a magnitude da transação, mas as manobras posteriores dos grandes bancos. Após não conseguirem barrar o negócio por vias regulatórias, setores do mercado financeiro passaram a apostar em uma estratégia midiática: veículos de comunicação de grande circulação, sob a pena de jornalistas de peso, reacenderam questionamentos antigos sobre a operação.
As matérias, que voltaram a circular recentemente, resgatam temas já superados e amplamente esclarecidos — como a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pelo Master e as condições financeiras do BRB para a operação. Embora sejam informações públicas e discutidas em comunicados oficiais, a reincidência em abordagens negativas levanta suspeitas sobre a real motivação das reportagens.
Nos bastidores, a leitura é quase unânime: grandes bancos, incomodados com o fortalecimento da nova aliança BRB-Master, estão dispostos a minar a credibilidade do negócio para manter seu espaço. A ofensiva midiática seria, portanto, uma última cartada de quem vê na nova estrutura um rival potencial.
Concentração sob pressão
A crítica ao domínio de grandes bancos sobre o mercado brasileiro não é nova. Dados do Banco Central mostram que, apesar da expansão das fintechs, a concentração segue alta: cinco bancos detêm quase 80% do crédito no país. O movimento do BRB representa uma tentativa concreta de romper essa barreira.

O reposicionamento do BRB, ao lado do Banco Master, oferece uma combinação rara no cenário atual: solidez estatal, agilidade e inovação de um banco privado em expansão. A fusão tem potencial para disputar mercados historicamente dominados, como crédito imobiliário, consignado e grandes operações corporativas.
A reação dos grandes bancos indica que não se trata apenas de uma operação bilionária, mas de um fator de desequilíbrio que pode provocar um efeito dominó sobre o mercado.
Estratégia ou desespero?
O uso da imprensa para intensificar críticas sem novidades concretas levanta o debate: estamos diante de uma preocupação legítima com a transparência do negócio ou de uma ofensiva calculada para defender interesses econômicos?
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam para a segunda hipótese. “As questões levantadas já foram todas endereçadas nos comunicados oficiais. O BC e o CADE ainda avaliam o caso, mas, do ponto de vista de mercado, não há nada que justifique tamanho barulho”, explica um consultor do setor financeiro, sob condição de anonimato.
Fontes de dentro do BRB e do Banco Master também mantêm o tom de serenidade, indicando que o processo segue conforme as etapas regulatórias, sem sinalização de risco iminente de veto.
Quem ganha e quem perde
Se confirmada, a operação pode beneficiar não apenas as duas instituições, mas o mercado em geral. A entrada de um novo player robusto aumenta a competição e tende a gerar condições mais favoráveis aos consumidores. Por outro lado, o incômodo dos gigantes mostra que, para eles, o negócio representa uma ameaça concreta.
Ainda que as críticas façam parte do jogo, a forma como estão sendo conduzidas — reavivando matérias antigas e reeditando suspeitas superadas — sugere mais uma reação de defesa de mercado do que uma preocupação genuína com a lisura do processo.
Com a decisão final nas mãos do Banco Central e do CADE, o episódio deixa claro que o mercado financeiro brasileiro segue marcado pela resistência à concorrência. Resta saber se, desta vez, o poder dos grandes será suficiente para frear o surgimento de uma nova força no sistema bancário.