Circuito Paralímpico é a chance de atletas obterem índices para o mundial

O Circuito Paralímpico Loterias Caixa 2025 contou com provas do paratletismo no CPB reunindo cerca de 300 atletas. Veja mais

Crédito: Celso Rodrigues/ABCdoABC

Outrora um ambiente que tinha como principal medida a reintegração de menores infratores à sociedade, a casa correcional Febem (Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor) Imigrantes, hoje, um ambiente que reúne histórias de superação e conquistas que, muitas vezes, teriam sido deixadas para trás, se não fosse o CPB (Centro Paralímpico Brasileiro), criado para abrir novas portas e proporcionar ao Brasil a revelação de talentos do desporto paralímpico, o que tem sido feito com maestria, e que conta com a parceria da Braskem, empresa patrocinadora do paradesporto, exclusivamente, o paratletismo.

Assim, neste final de semana foi realizado o Circuito Paralímpico Loterias Caixa 2025, evento que reuniu cerca de 300 atletas de todo o país e que serviu para obtenção de índices para a disputa do Mundial de Paratletismo de 2025, que acontecerá em Nova Délhi, na Índia, de 26 de setembro a 5 de outubro, no Estádio Jawaharlal Nehru, e a Braskem esteve presente.

Marcos da Costa, Secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência, lembrou do feito da comitiva brasileira nas Paralimpíadas da França, comentou a participação do Poder Público na formação de atletas de alto rendimento e convidou o setor privado a ser patrocinador.

“Poucos países têm algo similar a esse. O esporte paralímpico, que é inclusivo, agrega um futuro para as nossas crianças e para os nossos jovens. E nós temos o Governo do Estado também, no time São Paulo são 155 atletas patrocinados pela Secretaria. Muitos deles hoje competindo, tanto no atletismo, quanto na natação. São crianças que, muitas vezes, não teriam, fora do esporte, um outro caminho para competir, para serem incluídas na sociedade. Então esse investimento do Governo do Estado no Centro de Treinamento começa a dar frutos. Nós vimos em Paris que o Brasil ficou em quinto lugar em número de medalhas de ouro, mas ficou em quarto lugar no número total de medalhas”, celebrou o Secretário, que prosseguiu:

“Agora, trago uma novidade, aqui atrás nós estaremos agora, por determinação do Governador Tarcísio de Freitas, construindo o velódromo, que é o terceiro esporte que mais disputa medalha. Primeiro atletismo, o Brasil hoje é top 1 no atletismo. O máximo, China, que disputa com o Brasil em primeiro lugar. Natação, que o Brasil fica em quinto lugar, no top 5, acima dos Estados Unidos, da Austrália, da Grã-Bretanha, que são potências de natação, mas no velódromo, no ciclismo, nós nunca conquistamos, nem na Olímpica, nem no Paralímpico, uma medalha. Então estaremos agora começando a construção do velódromo. E aí o Brasil vai dar mais um salto agora no ciclismo e certamente vai levar a gente a patamares maiores do que tivemos agora em Paris. Nós precisamos que as empresas passem a patrocinar o esporte Paralímpico, reconheçam a importância do esporte Paralímpico e estejam conosco nesse grande movimento de inclusão através do nosso esporte. Basta conhecer o Paralímpico, o esporte e prever que o investimento aqui agrega muito em termos de imagens”, convidou Marcos.

Dos 155 atletas patrocinados pelo time São Paulo, 91 estavam em Paris, e 40% das medalhas obtidas pelo Brasil foram por meio do time São Paulo. O sucesso fez com que, a partir deste ano, o Comitê Paralímpico esteja dentro de mais de 70 escolas do Estado, segundo informou o Secretário, que disse também que o projeto visa, nos próximos cinco anos, chegar a novecentas escolas, como forma do esporte inclusivo, que serve para crianças com e sem deficiência, o que auxiliará para ‘garimpar’ novos talentos do paradesporto.

Eduardo Coutinho, coordenador de marketing do Comitê Paralímpico Brasileiro, explicou qual o objetivo das provas deste final de semana e comentou sobre os recordistas.

“Aqui não é campeonato, o pessoal está buscando índice e ranqueamento. É uma competição, mas como a gente junta as classes, a gente faz por tempo para buscar os melhores tempos para esses atletas se desafiarem para a conquista desses índices. Então, a gente tem uma temporada de seis meses, e vai de Porto Alegre a Rio Branco para realizar competições de atletismo, natação, para esses atletas conseguirem índices. Aqui é um circuito nacional. A gente tem atletas como a Elisabeth Gomes, cadeirante e bicampeã paralímpica no lançamento de disco e medalha de prata no arremesso de peso. E a Braskem, há dez anos, é patrocinadora”, mencionou Eduardo.

A Braskem atua em seus pilares e valores, contribuindo para uma sociedade inclusiva, como o paradesporto sendo uma das principais ferramentas de inclusão social, em uma ação que vai muito além do esporte.

De acordo com informações apuradas pelo ABCdoABC, após a renovação de contrato com a Braskem foi possível a compra de 30 cadeiras de corrida, além dos investimentos oriundos das loterias da Caixa Econômica Federal que, em 2024, somaram cerca de R$ 250 milhões.

O CPB foi construído no terreno da antiga Febem e conta com cerca de 95 mil metros quadrados da área construída, que inclui piscina, quadra poliesportiva, complexo de atletismo, quadra para vôlei sentado, área para o tênis de mesa, entre outras modalidades, e que conta com 27 mil atletas cadastrados em sua base de banco de dados.

Daniel Brito, assessor de comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro, comentou sobre o principal desafio, além de mensurar o número de centros de referências espalhados pelo país.

“O nosso grande desafio no Brasil é a inclusão. Muito do que a gente faz aqui tem que agradecer à parceria, o apoio e a presença constante dos nossos amigos da Braskem, que são grandes colaboradores e amigos do Movimento Paralímpico. Então a gente entende que nosso trabalho aqui sem a presença de amigos não teria o mesmo resultado. A gente teve um salto exponencial desde que veio para São Paulo. Desde que o centro foi construído e entregue ao Comitê Paralímpico Brasileiro em 2016, e aí em 2017 a gente assumiu o gerenciamento desse centro já em definitivo. Isso só alavancou a performance dos nossos atletas, deu mais condições para que eles pudessem fazer mais marcas importantes, mais recordes, mais medalhas, e a gente viu agora em Paris com 89 medalhas. Então, a gente está diversificando a quantidade de campeões, o que faz com que a gente também massifique ainda mais o esporte paralímpico, passando a nossa mensagem, que é de incluir pessoas por intermédio do esporte. No final do dia, o maior resultado esportivo, vai acabar tendo um impacto no dia a dia das pessoas, que vai influenciar e vai mostrar a eficiência e a capacidade das pessoas. E isso é perceptível nas Paralimpíadas, porque o número dos recordes do Brasil é exponencialmente muito grande. A gente conta muito com o apoio das Loterias Caixa, com apoio da Braskem e dos governos estaduais, assim como do governo federal. São parceiros de primeira hora do Comitê Paralímpico Brasileiro“, comentou ele, que concluiu:

“A gente tem vários projetos espalhados pelo Brasil, os centros de referência, em que entendemos que os estados precisam começar a trabalhar a base, os atletas, descobrir atletas com deficiência e desenvolver esse talento. Temos, hoje, 72 unidades de centros de referência no Brasil inteiro. Então, já dá para dizer que todas as unidades da federação já trabalham no esporte paralímpico, é um avanço. A ideia é que cresça esse número. Muitos governos estaduais estão trabalhando junto com a gente para realmente quebrar essa barreira e trazer pessoas com deficiência para praticar esporte. E, a partir daqui, ganhar autonomia, experiência nessa cidadania e, se possível, virar grandes atletas, chegar aqui no aprendizado e conquistar uma verdadeira vitória”, projetou ele.

Elizabeth Gomes, a Beth Gomes, paratleta com diversos recordes mundiais, conversou com o ABCdoABC sobre os desafios que a vida impôs à ela.

“Como mulher, posso falar que muitas vezes as mulheres são colocadas de canto. Muitas vezes não acreditam no potencial, seja na parte profissional, ou na parte do esporte. Então o esporte só veio agregar. Eu venho desde a minha infância no esporte. Fui jogadora de vôlei convencional, fui tricampeã pelo Santos. E quando fui acometida pela esclerose múltipla, eu vi meu mundo cair. O que eu faço agora? Acabou minha vida”, contou Beth o início das dificuldades após ser diagnosticada com a doença, e prosseguiu ao comentar como superou:

“Mas não, estava lá o esporte paralímpico me esperando, para que eu pudesse renascer, renascer uma nova mulher para o esporte, para a minha vida profissional também. Então, eu digo que tudo isso vem agregar e dar voz para a mulher, dar ênfase. Hoje, posso dizer que todas nós, mulheres, podemos fazer o que quisermos. Não só eu, como todas as mulheres, podem fazer e ser o que quiserem. Após dois anos de deficiência, depressão, eu até tentei tirar a minha vida. Eu, como jogadora de vôlei, sonhava com uma Olimpíada. E foi ceifado. Mas, eu estava enganada, porque Deus tinha preparado algo maior para mim. Buscar tantos recordes, aquele sonho de menina, eu conquistei no Paralímpico. Então, hoje eu digo que realizei todos os sonhos da minha vida. Eu acho que não tenho mais nada a pedir. Eu só tenho a agradecer e gratidão por tudo que eu conquistei dentro do esporte”, emocionou-se Beth, que já mandou o recado para as adversárias.

“São 42 recordes mundiais. Eu participei agora do arremesso de peso na classe F53 e 54, foi uma junção de classes. Saí vencedora da prova, com a medalha de ouro, com 7 metros e 32. Já estou garantida para o Mundial de Nova Delhi, na Índia, desde Paris, quando fui medalhista de ouro”, avisou Beth que estará na Índia. Neste domingo (25), Beth bateu novo recorde mundial na prova do lançamento de dardo F53, para competidores sentados, ao atingir 14,48m.

  • Publicado: 19/01/2026
  • Alterado: 19/01/2026
  • Autor: 29/05/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping