Brasileiros denunciam pressão em programa de deportação dos EUA
Passageiros relatam maus-tratos, fome e falta de documentos ao desembarcar em Minas Gerais
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 31/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Brasileiros que retornaram nesta semana ao país, em voo fretado pelo governo dos Estados Unidos, afirmam ter sido pressionados a aderir ao programa de deportação voluntária criado pela gestão Donald Trump. O grupo desembarcou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), relatando abusos e condições precárias durante todo o processo.
Relatos de pressão e maus-tratos
Segundo os deportados, muitos foram mantidos em centros de detenção por meses antes de serem colocados no avião, sem que houvesse de fato uma opção de saída voluntária. Alguns afirmam que foram obrigados a assinar documentos de autodeportação já dentro da aeronave, momentos após a retirada das algemas.
Carlos Fagundes, um dos brasileiros no voo, contou que passou por oito penitenciárias em três meses e enfrentou longos períodos sem comida ou água. “Chegamos a ficar até 20 horas sem comer nem beber nada. A comida estava à vista, mas não nos davam”, relatou.
Condições precárias e chegada ao Brasil
O voo partiu da Louisiana e fez escala na República Dominicana antes de chegar a Minas Gerais. Testemunhas afirmam que os passageiros vestiam uniformes de centros de detenção e carregavam apenas sacolas simples, sem documentos pessoais.
Na chegada, funcionários da ONU e do Ministério dos Direitos Humanos disseram ter se surpreendido com o estado do grupo. Alguns não sabiam sequer como retirar o auxílio financeiro prometido pelo programa de deportação, já que não possuíam passaporte para comprovar identidade.
Posição oficial dos EUA
Em nota, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil declarou que as deportações seguem as leis de imigração americanas e que os voos são conduzidos de forma “segura e respeitosa”. A representação não respondeu, porém, às denúncias de maus-tratos feitas pelos brasileiros.