Brasil perde liderança e tem maior queda de vistos no governo Trump
Brasil perde liderança de vistos para Índia e China com queda de 25,7%
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Brasil, que se destacou como o país líder na emissão de vistos de turismo e negócios para os Estados Unidos em 2023 e 2024, enfrentou neste último ano uma significativa queda no número absoluto desses documentos. Dados divulgados pelo Departamento de Estado americano indicam que, nos primeiros cinco meses do governo do presidente Donald Trump, foram emitidos apenas 358 mil vistos para brasileiros, em comparação com 482 mil no mesmo período do ano anterior.
Essa redução representa uma diminuição de 25,7% e resultou na perda da posição de destaque que o Brasil ocupava anteriormente, sendo superado por Índia e China neste ranking. Em 2023, durante o mesmo intervalo, os Estados Unidos concederam 429 mil vistos aos brasileiros.
A razão por trás dessa diminuição não é clara. Não se pode afirmar se é resultado de uma queda na demanda — possivelmente influenciada pelas políticas restritivas de imigração implementadas por Trump — ou se houve um aumento nas negativas devido a critérios mais rigorosos aplicados na análise dos pedidos.
A advogada Ingrid Baracchini, especialista em imigração, sugere que as recentes mudanças nas regras para obtenção de visto podem ter gerado incerteza entre os brasileiros, desestimulando-os a solicitar o documento. Alterações significativas foram observadas, como a exigência de entrevistas presenciais em casos que antes não a demandavam, incluindo vistos para crianças menores de 14 anos e idosos acima de 79 anos. Essa nova burocracia pode levar a um aumento nos custos e à desistência dos solicitantes.
Os dados compilados não incluem informações sobre pedidos negados neste ano, uma vez que essas estatísticas ainda não foram divulgadas. Contudo, no ano passado, a taxa de recusa entre brasileiros foi de 15%, enquanto em 2023 esse índice caiu para 13%. Os números mais atualizados abrangem até maio deste ano.
A análise refere-se especificamente aos vistos B1/B2 (destinados a turismo e negócios), considerando a nacionalidade dos solicitantes. Até maio deste ano, o Brasil ocupou a terceira posição na emissão desses documentos, atrás da China e da Índia, que emitiram 422 mil e 461 mil vistos respectivamente.
No contexto global, a emissão de vistos B1 e B2 para todas as nacionalidades permaneceu quase inalterada no período em questão, com uma queda marginal de apenas 0,8% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. No entanto, as distribuições variaram entre os países: enquanto a China experimentou um aumento significativo de 51,7%, totalizando mais 144 mil vistos emitidos em comparação ao ano passado, o Brasil registrou uma queda de 124 mil emissões.
Baracchini aponta que os cenários políticos divergentes entre Trump e o presidente Lula podem impactar os processos nos consulados. As restrições frequentemente anunciadas por Trump, incluindo possíveis aumentos nas taxas de emissão e novos encargos financeiros para obter vistos — como uma taxa adicional de US$ 250 — podem contribuir para a diminuição da procura.
Embora o Brasil tenha registrado a maior queda em números absolutos na emissão de vistos americanos neste ano, não figura entre os países com as maiores perdas percentuais. Na classificação geral, ocupa a 63ª posição com -25,7%. Essa discrepância ocorre porque variações percentuais altas muitas vezes correspondem a números absolutos reduzidos; por exemplo, Nauru teve uma queda drástica ao passar de 52 vistos emitidos em 2024 para apenas 2 em 2025.
Considerando apenas os países com pelo menos mil vistos emitidos em 2025, o Brasil se posiciona na 26ª posição entre as maiores quedas percentuais. Baracchini acredita que essa tendência de redução pode persistir devido à instabilidade associada aos processos de entrevista e renovação dos vistos.