Brasil registra queimadas históricas em 2024
Amazônia e Mata Atlântica são as mais afetadas
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 24/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
No ano de 2024, o Brasil enfrentou uma grave crise ambiental, com 30 milhões de hectares do território nacional afetados por queimadas. Este número representa a segunda maior área queimada nos últimos quatro décadas, superando em 62% a média histórica registrada entre 1985 e 2024, conforme dados do Mapbiomas.
Essas informações foram apresentadas na primeira edição do Relatório Anual do Fogo (RAF) e na Coleção 4 de mapas sobre cicatrizes de fogo no Brasil, divulgados nesta terça-feira (24).
Em 2024, notou-se que 72% da área queimada consistia em vegetação nativa. O impacto sobre a cobertura florestal foi particularmente significativo, com 7,7 milhões de hectares consumidos pelas chamas, o que corresponde a um aumento impressionante de 287% em comparação à média dos últimos quarenta anos.
Amazônia
Os dados indicam que a Amazônia foi o bioma mais devastado em 2024, com 15,6 milhões de hectares queimados. Este volume representa o maior registro da série histórica para essa região, contabilizando mais da metade (52%) da área total afetada por incêndios no país. Além disso, essa cifra supera em 117% a média das queimadas nos últimos quarenta anos.
Pela primeira vez, as áreas florestais foram as mais prejudicadas, respondendo por 43% do total atingido. Foram registrados 6,7 milhões de hectares de florestas queimadas e 5,2 milhões de hectares em pastagens. Historicamente, as pastagens eram as mais afetadas devido ao uso do fogo para limpeza antes do cultivo.
Felipe Martenexen, coordenador de mapeamento da Amazônia no MapBiomas, atribui parte desse cenário ao fenômeno El Niño que ocorreu em 2023 e 2024. Ele destaca que as condições climáticas tornaram a vegetação nativa mais suscetível ao fogo e que as chamas foram frequentemente iniciadas pela ação humana. “Acreditamos que o manejo inadequado das pastagens tenha contribuído para que o fogo se espalhasse e resultasse em incêndios florestais”, afirma.
Mata Atlântica
A Mata Atlântica também apresentou um crescimento alarmante nas queimadas em 2024, com uma área afetada superior em 261% à média histórica. O bioma registrou 1,2 milhão de hectares queimados e concentrou quatro dos dez municípios com maior proporção de área devastada: Barrinha, Dumont, Pontal e Pontes Gestal.
Embora as áreas antropizadas tenham sido as mais atingidas pelo fogo no último ano, observou-se um aumento significativo da cobertura natural afetada quando comparada aos últimos vinte anos. Natalia Crusco, integrante da equipe da Mata Atlântica do MapBiomas, ressalta que os incêndios trazem impactos severos aos remanescentes florestais já escassos dentro deste bioma.
Pantanal
O Pantanal também sofreu um aumento considerável nas queimadas em 2024, com uma elevação de 157% na área consumida pelo fogo. O bioma teve sua terceira maior extensão queimada, totalizando 2,2 milhões de hectares, sendo que 93% dessa área correspondia à vegetação nativa, especialmente formações campestres e áreas alagadas.
Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento do Pantanal no MapBiomas, observa que a dinâmica do fogo foi acentuada pela seca na região do Rio Paraguai, onde há uma concentração significativa de vegetação natural. “Embora o Pantanal possua áreas adaptadas ao fogo, próximo aos rios existe um mosaico complexo de vegetação nativa que é mais vulnerável às chamas”, explica.
Cerrado, Caatinga e Pampa
No Cerrado, as queimadas representaram em 2024 aproximadamente 35% da área total queimada no Brasil, somando 10,6 milhões de hectares — um aumento de 10% comparado à média histórica. Por outro lado, a Caatinga apresentou uma redução de 16%, com 404 mil hectares afetados pelo fogo, enquanto a média nos últimos quarenta anos era de cerca de 480 mil hectares.
No Pampa, o número de hectares queimados aumentou levemente em relação a 2023 para um total de 7,9 mil hectares; no entanto, esse valor ainda está bem abaixo da média histórica de 15,3 mil hectares anuais, indicando uma diminuição de 48% em comparação ao período analisado.
A análise dos pesquisadores revela um retrato abrangente da atividade incendiária no Brasil e destaca padrões relevantes sobre as queimadas e incêndios. Ane Alencar, diretora de Ciências do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo, conclui: “O relatório oferece suporte ao planejamento de medidas preventivas e direciona esforços para o combate aos incêndios de maneira mais eficaz.”