Brasil registra queda histórica em nascimentos
Mudanças sociais e econômicas impactam decisões familiares
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 16/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
No Brasil, a tendência de diminuição das taxas de natalidade se reafirma em 2023, com um total de 2,52 milhões de nascimentos, marcando o quinto ano consecutivo de queda. Este número representa uma redução de 0,7% em comparação ao ano anterior.
Além disso, essa cifra é 12% inferior à média de nascimentos observada entre 2015 e 2019, período que antecedeu a pandemia da covid-19, quando o país registrou cerca de 2,87 milhões de nascimentos anualmente.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da pesquisa Estatísticas do Registro Civil, realizada com informações coletadas em cartórios em todo o território nacional.
Embora o total de registros tenha alcançado 2,6 milhões em 2023, o IBGE esclarece que aproximadamente 2,9% desses registros (cerca de 75 mil) referem-se a nascimentos ocorridos em anos anteriores e registrados apenas neste ano.
A análise histórica do IBGE, que remonta a 1974, revela que o número atual de nascimentos é o mais baixo desde 1976. Os dados considerados excluem casos onde a residência da mãe não é conhecida ou está localizada fora do país.
A gerente da pesquisa, Klivia Brayner de Oliveira, destaca que a redução acentuada nos nascimentos deve ser contextualizada com os índices de sub-registro do passado. “Historicamente, muitos nascimentos e óbitos não eram formalmente registrados”, observa, ressaltando que atualmente as informações estão muito mais próximas da realidade.
Os fatores que contribuem para essa diminuição incluem os altos custos associados à criação de filhos, a ampla disseminação de métodos contraceptivos – acessíveis até mesmo para populações de baixa renda – e mudanças nas prioridades das mulheres, que frequentemente optam por priorizar educação e carreira antes de formar uma família. “As mulheres estão postergando a decisão de ter filhos em função dos estudos”, afirma.
De acordo com Klivia, essa tendência reflete uma mudança na idade das mães: em 2003, 20,9% dos nascimentos eram de mães com menos de 19 anos; em contrapartida, esse percentual caiu para 11,8% em 2023. Por outro lado, o número de mães com mais de 30 anos aumentou significativamente, passando de 23,9% para 39%. A proporção de mães com 40 anos ou mais também dobrou no mesmo período.
A pesquisa revelou variações regionais significativas: no Norte e Nordeste do Brasil, a participação das mães adolescentes ainda é maior em comparação às regiões Sul e Sudeste. A pesquisadora Cintia Simões Agostinho ressalta que essa dinâmica não é exclusiva do Brasil; países desenvolvidos e em desenvolvimento também apresentam padrões semelhantes.
Em relação aos óbitos, o Brasil registrou aproximadamente 1,43 milhão de mortes em 2023. Este é o segundo ano consecutivo com redução nos índices de mortalidade. Em comparação a 2022, houve uma queda adicional de 5%, após uma significativa redução anterior relacionada à pandemia.
O IBGE utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde para compilar as estatísticas sobre mortes. O instituto indica que uma parte considerável dessa diminuição nos óbitos está associada ao controle da pandemia da covid-19. Em particular, foram observadas reduções significativas nas mortes atribuídas a doenças virais.
Adicionalmente, os dados revelam que cerca de 71% das mortes ocorreram entre pessoas com mais de 60 anos. As causas naturais representaram mais de 90% dos óbitos registrados em 2023.
Por fim, Klivia destaca que a relação entre mortes por causas não naturais mostra uma prevalência significativa entre homens jovens. Entre indivíduos na faixa etária dos 20 aos 24 anos, por exemplo, foram registrados quase nove homicídios masculinos para cada morte feminina nesse grupo etário.