Brasil registra importante redução da desigualdade social em 2024, aponta estudo
Segundo estudo da FGV, mais pobres tiveram crescimento de 10,7% nos ganhos com o trabalho no ano passado, ritmo 50% maior do que o verificado entre os mais ricos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um estudo realizado pela FGV Social, fundamentado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), revelou que o Brasil alcançou em 2024 a mais significativa diminuição da desigualdade social dos últimos anos. A renda do trabalho entre os segmentos mais pobres da população cresceu 10,7%, superando em 50% o aumento observado entre os 10% mais ricos, que foi de 6,7%. No total, a renda do trabalho registrou um incremento médio de 7,1%.
Marcelo Neri, pesquisador da FGV e responsável pelo estudo, comentou sobre a redução acentuada da desigualdade: “Tivemos uma redução muito forte da desigualdade em 2024. E tudo isso está mais forte em termos de renda do trabalho do que em relação a outros componentes de renda”.
A melhora nos índices é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a criação de empregos formais e a implementação da Regra de Proteção do Bolsa Família. Esta regra permite que os beneficiários continuem recebendo parte do benefício por até dois anos após conseguirem um emprego com carteira assinada ou ao experimentarem um aumento na renda. Nesse caso, as famílias recebem 50% do valor do benefício. Em 2023, o programa foi reestruturado pelo Governo Federal, com um aumento médio de 44% no valor recebido por beneficiário, refletindo melhor as novas categorias familiares que incluem crianças, gestantes e nutrizes.
Dados indicam que em 2023, cerca de 75,5% das novas vagas no mercado formal foram preenchidas por beneficiários do Bolsa Família, enquanto 98,8% eram pessoas registradas no Cadastro Único. Esses dados são fruto da análise conjunta do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
O ministro Wellington Dias destacou a importância da Regra de Proteção do Bolsa Família: “Ela é um instrumento essencial para garantir que os beneficiários possam buscar novas oportunidades no mercado de trabalho sem perder o apoio governamental. Isso cria um ambiente seguro e estimula a formalização”, afirmou Dias, ressaltando seu papel na redução das desigualdades e no crescimento econômico nacional.
No cenário regional, o Nordeste se destacou como a área com o maior crescimento da renda do trabalho em todo o Brasil, com um aumento de 13%, quase o dobro da média nacional. O estudo da FGV mostrou avanços significativos na redução das desigualdades na região, especialmente entre grupos historicamente marginalizados como trabalhadores com baixa escolaridade.
Os estados nordestinos que lideraram esse crescimento incluem Sergipe (32,47%), Pernambuco (19,78%), Bahia (19,42%) e Paraíba (18,62%), seguidos por Tocantins (17,71%). Oito dos nove estados nordestinos figuraram entre os dez primeiros em termos de crescimento de renda do trabalho. Neri enfatizou: “É uma marca de um crescimento estrutural no Nordeste que promove uma distribuição mais equitativa dos ganhos”.
Outro fator relevante foi o aumento na escolaridade entre os grupos de menor renda, indicando um progresso significativo para a redução das disparidades sociais. A diminuição das taxas de desemprego também teve impacto positivo na base da pirâmide social. Em 2024, o Brasil alcançou a menor taxa média de desemprego já registrada: 6,6%.
O ministro Wellington Dias ressaltou a importância dos investimentos em qualificação profissional e inclusão socioeconômica como caminhos para superar a pobreza: “Quando capacitamos as pessoas, estamos devolvendo sonhos e dignidade”, disse ele.
Neri acrescentou que a Regra de Proteção do Bolsa Família foi fundamental para a notável redução da desigualdade social observada no último ano: “O mecanismo proporcionou segurança aos beneficiários ao ingressarem no mercado formal”.
O estudo também evidenciou um movimento crescente de inclusão social no mercado de trabalho. Grupos tradicionalmente marginalizados como pessoas com pouca educação formal, negros e mulheres apresentaram aumentos significativos na renda. O grupo sem instrução foi aquele que obteve o maior ganho em 2024.
Marcelo Neri destacou ainda que o país viveu um momento de prosperidade com um crescimento considerável na renda dos trabalhadores brasileiros: “Houve um aumento notável na igualdade social e uma redução da desigualdade que se traduziram em uma melhora significativa no bem-estar dos brasileiros”.
Para celebrar iniciativas que promovem a inclusão produtiva e a redução das desigualdades sociais no país, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social realizará no dia 29 de abril uma cerimônia em Brasília para entregar o Prêmio Nacional de Inclusão Socioeconômica. O evento contemplará três categorias principais: Inserção no Mercado de Trabalho, Empreendedorismo e Fomento e Combate à Desigualdade.