Brasil retoma protagonismo global com nova política externa

Ao assumir presidências estratégicas em 2025, o país consolida sua política externa voltada ao Sul Global, combate à fome e justiça climática

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

Nos últimos três anos, a política externa brasileira passou por uma transformação estrutural, deixando o isolamento para trás e ocupando o centro das decisões globais. Sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país reconstruiu pontes diplomáticas e retomou seu papel ativo em fóruns multilaterais, utilizando a diplomacia como ferramenta estratégica de desenvolvimento econômico e social. Em 2025, esse movimento atingiu seu ápice com o Brasil assumindo, simultaneamente, posições de liderança no BRICS, no MERCOSUL e os preparativos finais para a histórica COP30.

O reposicionamento internacional não é apenas simbólico; ele se traduz em influência direta sobre temas sensíveis, como a reforma da governança mundial e a transição climática justa. O Brasil hoje é visto como um articulador capaz de dialogar com as grandes potências enquanto lidera as demandas das nações em desenvolvimento.

A consolidação do Sul Global e a liderança no BRICS

Um dos eixos fundamentais da nova política externa é o fortalecimento do BRICS. Em 1º de janeiro de 2025, o Brasil assumiu a presidência pro tempore do bloco sob o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”. O grupo, que concentra parcela massiva do PIB mundial e da produção de energia, serve como o principal contraponto à hegemonia das instituições tradicionais.

Durante a Cúpula realizada em julho, no Rio de Janeiro, o presidente Lula destacou que o bloco representa um “novo jeito de fazer o multilateralismo sobreviver”. A estratégia brasileira focou em três pilares essenciais:

  • Economia e Finanças: Fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) para financiar projetos de infraestrutura sem as amarras ideológicas de instituições ocidentais.
  • Política e Segurança: Coordenação para a reforma da ONU e de órgãos financeiros internacionais.
  • Sociedade Civil: Ampliação do intercâmbio cultural e tecnológico entre os países-membros.

Combate à fome e integração regional no MERCOSUL

A política externa brasileira também levou a experiência doméstica de programas sociais para o palco mundial. O maior legado da presidência do G20, exercida pelo Brasil em 2024, foi a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Atualmente, a iniciativa conta com mais de 200 membros e projeta para 2026 um mecanismo de financiamento voluntário para apoiar planos nacionais de segurança alimentar.

No âmbito regional, o Brasil utilizou sua presidência no MERCOSUL, no segundo semestre de 2025, para modernizar o bloco. Além de revitalizar o FOCEM — que já investiu US$ 1 bilhão em projetos estruturantes —, o país introduziu a agenda do “MERCOSUL Verde”, focada em práticas agropecuárias sustentáveis que elevam a competitividade do bloco frente às exigências ambientais da União Europeia.

Segurança e combate ao crime organizado transnacional

Um avanço pragmático da política externa recente foi a aprovação da Estratégia do MERCOSUL de Combate ao Crime Organizado Transnacional (EMCCOT). Pela primeira vez, os Estados-membros estabeleceram uma comissão permanente para integrar inteligência e repressão ao tráfico de drogas e pessoas.

Complementando essa visão, a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia) em setembro reforçou a soberania brasileira. Financiado pelo Fundo Amazônia e gerido pelo BNDES, o centro integra forças de segurança de nove países para proteger o bioma de atividades ilícitas, unindo preservação ambiental e segurança pública.

COP30 em Belém: O ápice da diplomacia climática

O reconhecimento definitivo da nova política externa veio com a confirmação de Belém (PA) como sede da COP30. A conferência climática resultou no “Pacote de Belém”, um conjunto de 29 decisões que conectam o financiamento ambiental à redução das desigualdades. O Brasil defendeu com sucesso que a transição energética deve ser inclusiva, garantindo que o fim dos combustíveis fósseis não penalize as populações mais vulneráveis.

Para a ministra Marina Silva, o sucesso da COP reafirma que o país é capaz de reconhecer que “não há atalhos” para a crise climática. A diplomacia verde brasileira conseguiu transformar a preservação da floresta em um ativo econômico e político inquestionável.

Perspectivas para o futuro da soberania brasileira

Ao transitar por fóruns como a CELAC e a ASEAN, o Brasil reafirma sua crença em um mundo multipolar. A política externa atual rejeita a ideia de um planeta dividido por rivalidades estratégicas, optando pela cooperação como caminho para a prosperidade. Ao defender a democracia como valor inegociável e a paz como condição para o desenvolvimento, o governo brasileiro restabelece sua soberania e garante um lugar de fala privilegiado nas transformações do século XXI.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 27/12/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade