Brasil perde vendas na Black Friday por falta de tecnologia
Estudo revela que 25% das empresas perdem mais de 20% dos negócios por sistemas legados e silos de dados que travam vendas na Black Friday
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 14/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Um em cada quatro líderes de tecnologia no Brasil (25%) admite abertamente que suas empresas perdem mais de 20% de novos negócios devido à falta de tecnologias adequadas. Esse gargalo operacional, muitas vezes invisível no dia a dia, torna-se uma ameaça direta ao caixa durante a Black Friday, o maior evento de compras da América Latina.
A proximidade da alta temporada de descontos da Black Friday expõe uma vulnerabilidade crítica: 29% dos sistemas de tecnologia no país são considerados “insatisfatórios” para lidar com os picos de tráfego, apresentando desempenho “ruim” ou “muito ruim”.
Essa é a conclusão de um novo estudo da Galileo Financial Technologies, que ouviu mais de 600 líderes de tecnologia na América Latina e nos Estados Unidos. O “Índice de Inclusão Técnica” da empresa mapeou as “barreiras ocultas” que impedem o varejo e outros setores de maximizar seu potencial de vendas. Os principais vilões identificados são sistemas legados complexos e silos de dados onerosos.
O custo da confiança ou a falta dela na Black Friday

A falha de 29% dos sistemas brasileiros em períodos de pico como a Black Friday é apenas a ponta do iceberg. O problema real é a incapacidade de inovar ou adaptar-se rapidamente. Quando questionados sobre a facilidade para lançar uma nova funcionalidade – como um recurso de inclusão para novos clientes – quase metade (45,6%) dos líderes brasileiros admite que seria uma tarefa árdua: 30,4% afirmam que fariam “com dificuldade” e 15,2% classificam como “impensável” no momento.
“Esses problemas não apenas prejudicam as finanças e a eficiência operacional das empresas, mas também impactam diretamente as vendas e novos negócios“, explica no relatório Abdul Assal, Head de Desenvolvimento de Negócios da Galileo.
A pesquisa detalha a dificuldade em lidar com os próprios dados. Enquanto 87% dos líderes na América Latina afirmam que os silos de dados dificultam a oferta de experiências relevantes, no Brasil o número é ainda mais alarmante. Mais de 90% dos líderes brasileiros admitem que os silos de dados em suas organizações atrapalham a entrega de experiências inclusivas em datas como a Black Friday(somando os que responderam “severamente”, “moderadamente” e “levemente”).
Apenas 19,6% dos entrevistados no Brasil afirmam que “os dados fluem livremente” em suas organizações. A maioria convive com sistemas “isolados ou de difícil acesso” (35,9%) ou “sistemas isolados e difíceis de integrar” (19,6%). Não por acaso, os “silos de dados” (54,3%) e as “mentalidades legadas” (54,3%) foram citados como os principais desafios técnicos que impedem a inclusão.
Orçamento de TI preso no passado é uma barreira
O estudo da Galileo expõe um paradoxo financeiro: as empresas estão gastando muito, mas para ficarem paradas no tempo. O relatório mostra que 65% dos líderes de tecnologia brasileiros destinam mais da metade de seu orçamento de TI apenas à manutenção ou atualização de sistemas antigos.
Esse investimento massivo, no entanto, não gera retorno em inovação. Pelo contrário: três em cada quatro (75%) líderes brasileiros concordam (somando “concordo” e “concordo totalmente”) que esses mesmos sistemas legados limitam ativamente a capacidade de suas empresas de oferecer produtos e serviços verdadeiramente inclusivos.
A ironia é que a vontade de mudar existe. A maioria dos líderes brasileiros (75% somados) vê a atualização de sistemas para acomodar clientes diversos como “uma prioridade ativa” (34,8%) ou “uma preocupação importante” (40,2%). O problema é que o orçamento destinado à inovação está sendo consumido pela manutenção do legado.
Além do custo, há o fator cultural. O estudo revela que 40,2% dos líderes de tecnologia no Brasil esperariam resistência “total” (15,2%) ou “considerável” (25,0%) de suas equipes se a liderança ordenasse uma modernização completa focada na inclusão.
Leia mais: Black Friday 2025: Indecisão de 55% dos brasileiros freia o consumo
O medo de inovar
O relatório também aponta que a preocupação com a segurança, embora legítima, pode estar paralisando a evolução. Mais de 70% dos líderes brasileiros (70,7%) concordam que “preocupações com vulnerabilidades de segurança” atrasam a implementação de serviços mais acessíveis e inclusivos.
“Os picos sazonais servem como alerta para as empresas que ainda não identificaram as barreiras ocultas que estão custando clientes e vendas“, conclui Abdul Assal.
Para os 59% de líderes latino-americanos que já identificaram problemas de back-end como a principal causa das dificuldades, os especialistas do relatório recomendam ações direcionadas antes que a Black Friday exponha essas falhas publicamente.
“A primeira recomendação para empresas com infraestrutura legada, antes da Black Friday, é verificar se não é possível migrar certas funções para um sistema mais cloud-native com maior capacidade de escala“, comenta Assal. Ele também recomenda testes de estresse para simular alta demanda e garantir que os sistemas se comuniquem.
“Felizmente, com as novas tecnologias, a maioria das empresas não precisa de uma reformulação completa“, finaliza Assal no relatório. “Em vez disso, diagnósticos e soluções direcionadas podem gerar resultados significativamente maiores“.