Brasil vira hub global de pesquisa clínica com novo marco
Decreto reduz burocracia, atrai até R$ 2,1 bilhões anuais e amplia acesso a terapias inovadoras para milhares de pacientes
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 23/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Brasil vive uma inflexão no campo da ciência e da inovação com a regulamentação da Lei da Pesquisa Clínica com Seres Humanos (Lei nº 14.874/2024) pelo Decreto nº 12.651/2025. O novo marco elimina entraves históricos, acelera processos éticos e regulatórios e posiciona o país como potencial hub global de estudos clínicos, com expectativa de atrair cerca de R$ 2,1 bilhões anuais em investimentos diretos da indústria farmacêutica.
Atualmente na 19ª posição do ranking mundial da IQVIA, o país possui uma das populações mais eticamente diversas do planeta, característica estratégica para testes de novos medicamentos e vacinas. Com prazos de aprovação mais curtos, o impacto econômico total pode alcançar R$ 6,3 bilhões por ano, fortalecendo hospitais, centros de pesquisa e toda a cadeia produtiva da saúde.
Pesquisa clínica, tratamentos e geração de empregos

Além dos indicadores econômicos, o novo marco amplia o acesso de pacientes a terapias inovadoras. A estimativa é de que 286 mil brasileiros participem de pesquisa clínica com acesso antecipado a tratamentos para câncer e doenças raras, muitas vezes sem custo para o sistema público, já que os protocolos são financiados por patrocinadores privados.
O avanço também deve impulsionar o mercado de trabalho. A projeção aponta para a criação de 56 mil vagas qualificadas, especialmente em monitoramento de dados, regulação sanitária e gestão de protocolos clínicos. Segundo o diretor executivo da ABRACRO, Fernando de Rezende Francisco, o crescimento observado em 2025 já superou expectativas em áreas técnicas e regulatórias.
Efeito cascata na economia da saúde

A regulamentação para pesquisa clínica gera demanda em setores estratégicos. Empresas de tecnologia passam a desenvolver sistemas de monitoramento em tempo real, enquanto a logística especializada ganha relevância no transporte de amostras biológicas sob controle térmico rigoroso. A indústria de equipamentos médicos também deve se beneficiar com a modernização de centros de pesquisa e hospitais.
Dados da Alvarez & Marsal indicam que a indústria farmacêutica movimentou R$ 162 bilhões em 2024. Com o novo ambiente regulatório, o Brasil deixa de atuar apenas como consumidor de tecnologia para assumir papel ativo no desenvolvimento de novas terapias, com projeção de crescimento de 9% ao ano no setor de saúde até 2028.