Brasil enfrenta desafios na gestão de resíduos
Relatório 2024 destaca desafios e avanços na gestão de resíduos sólidos no Brasil
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 10/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A reciclagem e a compostagem desempenham papéis cruciais na gestão sustentável dos resíduos sólidos urbanos no Brasil. Em 2023, observou-se que 8% dos resíduos secos descartados receberam destinação ambientalmente adequada por meio da reciclagem, totalizando mais de 6,7 milhões de toneladas. Este processo não apenas reduz a quantidade de lixo que vai para os aterros sanitários, mas também reintegra materiais valiosos à cadeia produtiva, promovendo uma economia circular.
Um dado interessante é que a maior parte desse esforço de reciclagem foi realizado por coletores informais, que responderam por 67,2% do material reciclado. Isso evidencia a importância das cooperativas e associações de catadores na estrutura de reciclagem do país, mesmo que o apoio governamental ainda seja limitado. A coleta formal realizada pelos serviços públicos representa apenas 32,8%, indicando uma área com potencial para melhorias significativas.
Além da reciclagem, a compostagem é outra técnica sustentável que está começando a ganhar mais espaço. No ano passado, aproximadamente 0,4% dos resíduos sólidos urbanos foram destinados às usinas de compostagem, resultando em cerca de 85,5 mil toneladas de composto orgânico. Este produto pode ser utilizado na agricultura e jardinagem, fechando o ciclo dos nutrientes e reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos.
O panorama também revela um crescimento tímido nas unidades de preparo de combustível derivado de resíduos, com 144,2 mil toneladas processadas para produção de energia térmica em fornos industriais. Apesar de representar menos de 0,2% do total gerado, esta alternativa energética demonstra potencial como solução complementar aos combustíveis fósseis.
Portanto, enquanto o Brasil dá passos positivos rumo a práticas mais sustentáveis na gestão de resíduos, ainda há um longo caminho pela frente. É essencial fomentar políticas que incentivem tanto a reciclagem quanto a compostagem para aumentar as taxas atuais e integrar mais atores nessa jornada. A seguir, será explorado como esses processos se refletem nos custos e empregos gerados no setor.
Custos e Empregos no Gerenciamento de Resíduos
O gerenciamento de resíduos sólidos urbanos no Brasil não apenas representa um desafio ambiental, mas também um significativo compromisso financeiro para os municípios. Em 2023, as cidades brasileiras destinaram aproximadamente R$ 34,7 bilhões para serviços relacionados à gestão de resíduos, que incluem varrição de vias, limpeza de áreas públicas, coleta, transporte, tratamento e disposição final de resíduos. Quando se somam os gastos do setor privado, o valor total atinge R$ 37 bilhões, refletindo um aumento de 9,4% em comparação aos custos combinados público e privado do ano anterior.
Esse investimento é crucial não apenas para garantir a eficiência na gestão dos resíduos, mas também para assegurar a saúde pública e proteger o meio ambiente. Além disso, o setor desempenha um papel vital na geração de empregos. Em 2023, cerca de 386 mil pessoas estavam empregadas diretamente na gestão de resíduos sólidos urbanos no Brasil. A maioria desses trabalhadores atua em atividades finalísticas essenciais como varrição, capina e nas unidades de processamento, enquanto uma menor parcela está envolvida em funções administrativas.
A análise desses dados destaca a importância de continuar investindo em soluções inovadoras que possam não só melhorar a eficiência dos processos envolvidos na gestão de resíduos, mas também otimizar os custos operacionais. Ao identificar quais estratégias são mais eficazes e onde devem ser implementadas, é possível alinhar investimentos futuros com as necessidades locais específicas e promover a sustentabilidade econômica do setor.
Compreender o impacto financeiro e laboral do gerenciamento de resíduos é essencial para desenvolver políticas que não apenas aprimorem a eficiência da gestão dos resíduos sólidos urbanos, mas também promovam o desenvolvimento socioeconômico sustentável. Na próxima seção, exploraremos as iniciativas de reciclagem e compostagem que podem reduzir os custos operacionais e potencialmente criar novas oportunidades econômicas.