Brasil enfrenta aumento de hepatites virais

Vacinação e prevenção são fundamentais na luta contra a doença

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

No ano de 2024, o Brasil registrou mais de 34 mil casos de hepatite viral, resultando em aproximadamente 1.100 mortes diretas associadas à doença. Essa condição afeta o fígado e é provocada por cinco sorotipos virais: A, B, C, D e E.

Os sorotipos B e C são os mais comuns no país, sendo que a maior parte das infecções se torna crônica. O vírus pode permanecer assintomático no organismo por longos períodos, ocasionando danos progressivos ao fígado que podem culminar em condições graves como fibrose cística, cirrose ou câncer hepático, manifestando sintomas apenas em estágios avançados.

Hepatite
Tânia Rêgo – Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta global a redução em 90% da incidência de hepatites B e C, além de uma diminuição de 65% na mortalidade até 2030. Em decorrência disso, o dia 28 de julho foi designado como o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais.

Medidas de prevenção

O infectologista Pedro Martins, professor da Afya Educação Médica, destaca que as hepatites virais são preveníveis. “As hepatites A e E são transmitidas via fecal-oral, geralmente através do consumo de água ou alimentos contaminados. Por outro lado, as hepatites B, C e D têm transmissão parenteral, ocorrendo principalmente através do contato com sangue contaminado ou pelo compartilhamento de objetos pessoais, como lâminas de barbear e escovas de dentes“, explica.

Outra estratégia crucial na prevenção é a vacinação. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente vacinas contra as hepatites A e B. A vacina contra a hepatite B também protege contra o vírus D, visto que este último requer a presença do vírus B para infectar. Ambas fazem parte do calendário vacinal infantil.

Tomaz Silva/Agência Brasil

A primeira dose da vacina contra hepatite B deve ser administrada logo após o nascimento, com doses adicionais previstas para os 2, 4 e 6 meses de vida. É recomendado que gestantes se vacinem caso não consigam comprovar a imunização anterior, uma vez que a doença pode ser transmitida durante a gestação ou amamentação.

Queda nos casos

Os índices de vacinação têm mostrado resultados positivos na diminuição dos casos. Em 2013, a taxa de detecção da hepatite B era de 8,3 casos para cada 100 mil habitantes; esse número caiu para 5,3 em 2024. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, afirma que a erradicação da doença é viável se o Brasil mantiver altos níveis de vacinação.

“Não existe reservatório do vírus da hepatite B fora do ser humano. Portanto, ao alcançarmos uma taxa de vacinação próxima a 100%, podemos impedir a formação de novos portadores crônicos e eliminar as fontes de infecção”, enfatiza Kfouri.

Eficácia das vacinas

A vacina contra a hepatite A também demonstrou ser eficaz. Em 2013, foram registrados 903 casos em crianças menores de cinco anos; após a inclusão do imunizante no calendário vacinal infantil em 2014, houve uma queda drástica nesse número, com apenas 16 casos reportados em 2024.

No entanto, preocupa-se com o aumento dos casos entre adultos jovens na faixa etária de 20 a 39 anos, especialmente entre homens. Em resposta aos surtos identificados nessa população pelo Ministério da Saúde em maio deste ano, a vacinação foi ampliada para incluir usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição).

Infelizmente, ainda não há uma vacina disponível para hepatite C – que é a forma mais comum e letal da doença. Em 2024, foram diagnosticados 19.343 novos casos da doença no Brasil e registrados 752 óbitos diretos. No entanto, testes laboratoriais podem confirmar a infecção e os tratamentos antivirais disponíveis têm uma taxa de cura superior a 95%.

“Quando o tratamento é iniciado precocemente, as complicações são mínimas. Contudo, se a infecção permanece sem tratamento por longos períodos, pode levar à cirrose hepática e câncer de fígado mesmo entre indivíduos que não consomem álcool”, adverte Pedro Martins.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 28/07/2025
  • Fonte: Sorria!,