Brasil busca destravar impasses climáticos rumo à COP30 durante reunião em Bonn, Alemanha

A delegação brasileira participa nesta semana das Reuniões Climáticas de Junho, em Bonn, na Alemanha, com o objetivo de superar as pendências deixadas nas últimas negociações internacionais. O encontro serve como um preparativo para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém (PA). Com a expectativa […]

Crédito: Reprodução

A delegação brasileira participa nesta semana das Reuniões Climáticas de Junho, em Bonn, na Alemanha, com o objetivo de superar as pendências deixadas nas últimas negociações internacionais.

O encontro serve como um preparativo para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém (PA).

Com a expectativa de receber cerca de 5 mil participantes, o evento técnico, conhecido como pré-COP, vai até 26 de junho e reúne representantes de diversos países para avançar em pontos estratégicos da agenda climática.

Prioridades brasileiras: transição justa, adaptação e balanço global

A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, destacou que o Brasil chega a Bonn com três temas prioritários: a transição energética justa, os indicadores de adaptação climática e a implementação do balanço global, chamado de “global stocktake” (GST).

O foco na transição justa busca garantir que a migração para uma economia de baixo carbono ocorra de maneira inclusiva, com proteção a grupos vulneráveis e geração de empregos verdes.

Já os indicadores de adaptação serão debatidos formalmente pela primeira vez nas sessões de Bonn, com a expectativa de construir uma base sólida para as decisões da COP30.

O balanço global, previsto no Acordo de Paris, é outro tema-chave. O primeiro relatório foi apresentado na COP28, em Dubai, mas os países ainda precisam definir como implementar suas recomendações. “Temos alguns temas que não foram acordados na última COP e que se tornaram ainda mais importantes para esta reunião em Bonn”, afirmou Ana Toni.

Financiamento climático segue como ponto sensível

Apesar do esforço para avançar em temas centrais, as discussões sobre financiamento climático continuam sendo um desafio. Na última conferência, em Baku, os países aprovaram um novo objetivo de financiamento, o Novo Objetivo Coletivo Quantificado (NCQG), que prevê US$ 300 bilhões anuais até 2035, com meta futura de US$ 1,3 trilhão. No entanto, os detalhes sobre como atingir esses valores seguem indefinidos.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou em carta pública a importância do diálogo em Bonn para fortalecer o multilateralismo. As discussões servirão como um termômetro para o clima das negociações em Belém, onde se espera maior protagonismo do Brasil.

Atualização das NDCs também está no radar

Outro aspecto central das conversas da delegação brasileira na Europa tem sido a atualização das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que medem o compromisso de cada país na redução de emissões de gases de efeito estufa.

Ana Toni participou de eventos como a Unoc3, a 3ª Conferência da ONU sobre o Oceano, em Nice, e aproveitou para dialogar com representantes de outros países sobre o avanço das NDCs. Segundo ela, até agora apenas 22 planos atualizados foram oficialmente submetidos. “As NDCs estão mais detalhadas e se tornaram instrumentos de debate e tensão. Isso é um bom sinal, pois mostra que a questão climática está cada vez mais integrada às políticas nacionais”, disse.

A reunião em Bonn representa mais um passo decisivo para que o Brasil chegue à COP30 com as negociações adiantadas e com condições de liderar os debates globais sobre clima.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 15/06/2025
  • Fonte: Sorria!,