Brasil conquista 5 medalhas na Olimpíada de Astronomia
Com uma medalha de ouro, uma de prata e três de bronze, delegação brasileira encerra participação histórica na Olimpíada de Astronomia
- Publicado: 05/10/2026 10:11
- Alterado: 05/10/2026 10:11
- Autor: Daniela Ferreira
A delegação brasileira conquistou um dos melhores resultados de sua história na 19ª edição da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), realizada em Hanói, no Vietnã. Na competição encerrada nesta segunda-feira (5), os cinco estudantes brasileiros premiarem o país com uma medalha de ouro, uma de prata e três de bronze.
O estudante Eyke Cardoso de Souza Torres garantiu a medalha de ouro para o Brasil, enquanto Arthur Alencar Spuri conquistou a prata. As três medalhas de bronze foram obtidas por Biatriz Soares Silva, Jailson Henrique Godeiro Neto e Isaac Victor de Araújo Santos.
A classificação para o torneio internacional ocorreu após um rigoroso processo seletivo nacional iniciado nas etapas da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).
Alto nível de dificuldade e desafios astronômicos

A IOAA é considerada uma das principais competições científicas para estudantes do ensino médio em todo o mundo. Durante a programação no Vietnã, os jovens enfrentaram provas teóricas, práticas e de análise de dados.
Entre os problemas propostos pela organização do torneio, os estudantes precisaram realizar cálculos e interpretações sobre a observação do planeta Saturno, a estrutura do aglomerado aberto Messier 29 e a determinação da massa de buracos negros por meio de técnicas de reverberação.
Segundo o professor Thiago Paulin, líder da delegação, as avaliações exigiram alto nível de raciocínio lógico e domínio conceitual para transformar medições astronômicas em dados conclusivos.
Além do desempenho acadêmico, os participantes destacaram a troca cultural com delegações da Turquia e da Arábia Saudita, além do reconhecimento recebido de guias e avaliadores após a conclusão das provas mais complexas.
“A prova exigiu que os estudantes fossem além da simples observação, utilizando medições e dados reais para realizar cálculos astronômicos complexos”, destacou o professor Thiago Paulin.
Como funciona o processo seletivo da OBA

A jornada até a competição internacional começa na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, promovida anualmente nas escolas do país. Para avançar às seletivas internacionais, alunos do ensino médio precisam obter nota mínima 7 na OBA, enquanto estudantes do 9º ano do ensino fundamental necessitam de nota igual ou superior a 9.
Os classificados realizam a prova presencial de 2ª fase e o Torneio Seletivo de Astronomia e Astrofísica (TSA²). A partir dessa fase, 45 estudantes são selecionados para treinamentos intensivos, incluindo cotas obrigatórias para meninas, alunos do 1º ano e estudantes da rede pública.
Ao final das etapas de preparação, os cinco melhores colocados garantem vaga na IOAA, enquanto outros cinco são designados para a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), ao lado de cinco suplentes.
A OBA é organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), contando com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do CNPq.