Brasil lança campanha de combate à dengue, zika e chikungunya
Investimento foca em novas tecnologias. Dia D de combate ao mosquito Aedes aegypti será neste sábado (8).
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 04/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Governo Federal iniciou nesta segunda-feira (3/11) a nova campanha nacional “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya”. Para reforçar as ações de controle de arboviroses, o Ministério da Saúde anunciou um investimento adicional de R$ 183,5 milhões para o ciclo 2025/2026, montante destinado à ampliação do uso de novas tecnologias de controle vetorial no país.
O anúncio ocorre mesmo diante de uma atualização do cenário epidemiológico que aponta melhorias. Em 2025, o Brasil registrou uma redução de 75% nos casos de dengue em comparação com o mesmo período de 2024. Apesar disso, a pasta alerta que o combate ao Aedes aegypti precisa ser mantido e intensificado em todo o território nacional.
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Alerta: “Não podemos baixar a guarda”
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a necessidade de vigilância contínua, mesmo com a queda nos números.
“Mesmo com essa melhora, não podemos baixar a guarda. A dengue continua sendo a principal endemia do país e o impacto das mudanças climáticas amplia o risco de transmissão em regiões onde antes o mosquito não existia”, afirmou o ministro.
Atualmente, o país soma 1,6 milhão de casos prováveis de dengue e 1,6 mil óbitos (uma redução de 72% em relação a 2024). A maior concentração de ocorrências (55%) está em São Paulo, seguido por Minas Gerais (9,8%) e Paraná (6,6%).
Dia D e o cenário de risco
O 3º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em 3.223 municípios, acendeu um alerta: 30% das cidades analisadas estão em situação de alerta para dengue, chikungunya e Zika. Os estados com previsão de maior incidência estão no Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
Segundo Padilha, a prevenção precisa começar agora, antes da temporada de maior transmissão. Por isso, o Ministério da Saúde está mobilizando gestores e a população para o Dia D da Dengue, que ocorrerá neste sábado, 8 de novembro. Com o lema “Contra o mosquito, todos do mesmo lado”, a campanha busca reforçar a responsabilidade coletiva na eliminação de criadouros.
Novas tecnologias: O papel da Wolbachia
O investimento de R$ 183,5 milhões será crucial para expandir tecnologias de controle vetorial. O grande destaque é o método Wolbachia, que utiliza mosquitos infectados com uma bactéria que bloqueia o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes aegypti, impedindo a transmissão.
Niterói (RJ), a primeira cidade brasileira a ter 100% do território coberto pelo método, já apresenta resultados concretos: redução de 89% nos casos de dengue e 60% nos de chikungunya. O plano é expandir a tecnologia de 12 para mais 70 cidades, 13 delas ainda em 2025.
Para suportar essa expansão, foi inaugurada em Curitiba (PR) a maior biofábrica de Wolbachia do mundo, com capacidade de produção de 100 milhões de ovos por semana.

Vacinação e prevenção contínua
A estratégia de combate também inclui o apoio da Força Nacional do SUS (FN-SUS) e a vacinação. A imunização contra a dengue, iniciada em 2024 para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua ativa em 2.752 municípios de maior risco. Mais de 10,3 milhões de doses já foram enviadas aos estados.
Paralelamente, o Brasil avança para consolidar seu programa de imunização com a vacina 100% brasileira desenvolvida pelo Instituto Butantan. Uma parceria recente com a chinesa WuXi Biologics deve permitir a produção em larga escala (40 milhões de doses ou mais por ano) a partir de 2026.
O Ministério da Saúde reforça que o controle das arboviroses depende da ação conjunta do governo e da sociedade. É fundamental que a população adote medidas preventivas:
- Uso de telas em janelas e repelentes.
- Remoção de recipientes que possam acumular água e se tornar criadouros.
- Vedação adequada de reservatórios e caixas d’água.
- Limpeza de calhas, lajes e ralos.