Brasil busca investidores para transformar o setor ecológico

O governo brasileiro intensifica ações para atrair investimentos estrangeiros e impulsionar projetos de energia limpa e data centers com a aprovação de novos marcos regulatórios

Crédito: Divulgação/Freepik

Após a decisão dos Estados Unidos de se retirar do Acordo de Paris, o governo brasileiro está intensificando seus esforços para atrair investidores estrangeiros para os principais projetos do Plano de Transformação Ecológica, liderado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Roadshows internacionais para atrair investidores

Nos próximos meses, uma série de roadshows internacionais será realizada com o intuito de apresentar as oportunidades de investimento que surgem com a aprovação de novos marcos regulatórios. As iniciativas visam países da Europa, Ásia, Oriente Médio e Estados Unidos, com ênfase na Califórnia.

Um dos principais focos para atrair investimentos estrangeiros é a instalação de grandes data centers, que atenderão à crescente demanda gerada pelos modelos de Inteligência Artificial (IA). Técnicos do governo federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acreditam que a suspensão dos desembolsos referentes à Lei de Redução da Inflação (IRA) por parte do ex-presidente Donald Trump pode criar uma janela de oportunidade favorável ao Brasil.

Potencial do hidrogênio verde e recursos renováveis

A IRA, aprovada em 2022 durante a administração Joe Biden, representa um marco no financiamento de projetos voltados para a energia limpa. No entanto, sua implementação inclui um forte componente nacionalista, exigindo que a produção ocorra nos Estados Unidos para que os incentivos sejam concedidos. Isso coloca o Brasil em uma posição competitiva em setores como o hidrogênio verde, um combustível considerado essencial para o futuro energético do planeta.

O hidrogênio verde tem potencial para abastecer veículos, armazenar energia e produzir fertilizantes. As condições climáticas brasileiras favorecem a geração de energia solar e eólica, posicionando o país como um ator relevante nesse debate global. Além disso, o Brasil se destaca na competição por recursos renováveis e na construção de data centers que exigem grande quantidade de energia.

O Brasil como líder na geração de energia renovável

Rafael Dubeux, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda e coordenador técnico do Plano de Transformação Ecológica, destaca que “nenhum lugar do mundo possui a disponibilidade de energia de baixo carbono como o Brasil”. Ele enfatiza que estudos demonstram que o hidrogênio verde brasileiro é o mais barato globalmente.

Dubeux também menciona que, embora o mundo ainda dependa de petróleo e gás natural para operar data centers, o Brasil pode oferecer soluções energéticas renováveis a preços mais competitivos. “Quando apresentamos essa realidade em outros países, muitos ficam surpresos com nossa capacidade de expandir a geração eólica e solar”, afirma.

Propostas para garantir segurança jurídica e atrair investimentos

Técnicos governamentais já estão desenvolvendo uma proposta de lei para estabelecer uma política específica que incentive a instalação desses grandes data centers no Brasil. Essa regulamentação visa garantir segurança jurídica aos investidores interessados em aportar recursos nesse setor.

Um aspecto crucial nas discussões envolve as tarifas de importação, especialmente porque muitos componentes necessários para os data centers são importados. A intenção é harmonizar essa tributação com soluções que possam ser produzidas localmente.

Dubeux ressalta que, apesar da saída dos EUA do Acordo de Paris ter impactos negativos sobre os esforços globais para a descarbonização, isso não impede o progresso das iniciativas ambientais ao redor do mundo. O Brasil mantém seu compromisso com metas ambiciosas de neutralidade carbônica até 2050 e já propôs antecipar esse objetivo aos países do G-20.

Segundo Dubeux, essa situação representa uma perda significativa para os EUA em termos de liderança tecnológica na área ambiental. Contudo, ele acredita que a dinâmica comercial e as mudanças climáticas continuarão a impulsionar a descarbonização em nível global.

Leis que impulsionam a atração de investimentos

Além disso, Dubeux aponta quatro leis cruciais que devem impulsionar a atração de investimentos: o mercado regulado de carbono; o marco legal do hidrogênio; regulamentações sobre energia eólica offshore; e o programa Mover para mobilidade verde. Para ele, ainda é necessário melhorar a comunicação sobre os avanços legais no Brasil para atrair capital internacional.

A nova rodada de promoção internacional incluirá projetos adicionais na recém-criada BIP (Banco Internacional de Projetos), que funciona como um conector entre investidores e iniciativas governamentais voltadas para investimentos climáticos e transformação ecológica. Atualmente, a BIP conta com 10 projetos estimados em cerca de R$ 70 bilhões em investimentos potenciais.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 24/02/2025
  • Fonte: Fever