Brasil avança no ranking mundial de liberdade de imprensa, mas desafios permanecem

O Brasil avançou 47 posições no Ranking da Liberdade de Imprensa de 2025, alcançando a 63ª colocação, num cenário global crítico para jornalistas

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil

O Brasil apresentou uma melhoria significativa em sua posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), subindo 47 posições e alcançando a 63ª colocação em 2025. Este avanço é interpretado por especialistas como um sinal de um ambiente menos hostil ao jornalismo, especialmente após os desafios enfrentados durante a presidência de Jair Bolsonaro.

O conceito de liberdade de imprensa, conforme definido pelo estudo, refere-se à capacidade dos jornalistas e das organizações de mídia de selecionar, produzir e disseminar informações relevantes para o público sem interferências políticas, econômicas ou legais, além da proteção contra ameaças à segurança física e psicológica dos profissionais da área.

No entanto, o Brasil é uma exceção em um cenário global predominantemente negativo: seis entre dez países observados tiveram sua classificação rebaixada. Este ano marca a primeira vez em que as condições para o exercício do jornalismo são consideradas “ruins” na metade dos países avaliados, enquanto menos de 25% são vistos como tendo condições “satisfatórias”.

A média global dos países analisados ficou abaixo dos 55 pontos, sinalizando que a liberdade de imprensa enfrenta uma situação crítica em muitos locais. A RSF utiliza cinco indicadores para compor o índice: político, social, econômico, marco legal e segurança. Em 2025, o indicador econômico teve um peso considerável na classificação geral, refletindo preocupações com a concentração da propriedade da mídia, a pressão exercida por anunciantes e a falta de transparência nos subsídios públicos destinados aos veículos de comunicação.

A RSF alerta que os meios de comunicação estão numa luta constante para manter sua independência diante das exigências econômicas. Segundo Anne Bocandé, diretora editorial da RSF, “assegurar um espaço pluralista e independente na mídia requer condições financeiras sólidas e transparentes. Sem essa independência econômica, a liberdade de imprensa é comprometida”. Ela enfatiza ainda que a sobrevivência financeira é fundamental para garantir uma informação confiável e focada no interesse público.

Além do Brasil, outros países merecem destaque no relatório. A Argentina caiu para a 87ª posição devido às tendências autoritárias do governo atual sob Javier Milei, que tem sido criticado por atacar jornalistas e desmantelar mídias públicas. O Peru também apresentou um colapso na liberdade de imprensa, caindo 53 posições desde 2022 devido ao aumento do assédio judicial e à pressão sobre meios independentes.

Nos Estados Unidos, ocupando a 57ª posição, as consequências do governo Trump continuam a impactar negativamente a confiança do público na mídia e os direitos dos jornalistas. A diminuição do apoio à mídia independente foi acentuada pela retirada do financiamento federal destinado à Agência dos Estados Unidos para a Mídia Global.

No Oriente Médio e na região Norte da África, as condições permanecem alarmantes para os jornalistas. A RSF destaca a situação crítica em Gaza como um exemplo das dificuldades enfrentadas por profissionais da área nessas regiões. A maioria dos países nessas áreas é classificada como tendo condições “difíceis” ou “muito graves”.

Outro aspecto crítico abordado pela RSF é o impacto das grandes empresas de tecnologia (Big Techs) sobre o ecossistema da mídia. O domínio das plataformas GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) na distribuição de informações prejudica financeiramente os meios tradicionais ao capturar receitas publicitárias essenciais. Em 2024, os gastos com publicidade nas redes sociais alcançaram US$ 247,3 bilhões, refletindo um aumento significativo em relação ao ano anterior. As Big Techs também são apontadas como contribuintes para a propagação de conteúdos manipulados e desinformação.

Por fim, a concentração da propriedade da mídia continua sendo uma preocupação grave; em 46 países analisados pelo ranking, os meios estão fortemente centralizados ou totalmente sob controle estatal. Essa tendência representa uma ameaça direta ao pluralismo informativo e à diversidade nas vozes presentes na mídia mundial.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 02/05/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo