Brasil Avança na Educação Integral e Técnica, mas Abandona Jovens e Adultos na EJA
Apesar de avanços em áreas estratégicas da educação, país não atinge metas do Plano Nacional de Educação e vê retrocesso na modalidade para jovens e adultos.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 09/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Censo Escolar 2024, divulgado nesta quarta-feira (9) pelo Ministério da Educação, revelou um crescimento expressivo nas matrículas de tempo integral no ensino médio da rede pública. Atualmente, 1,56 milhão de estudantes estão inseridos nessa modalidade, o que corresponde a 23,1% do total — mais que o dobro registrado há uma década. Apesar do salto, o número ainda não atinge a meta de 25% estipulada pelo Plano Nacional de Educação (PNE) até o fim de 2024.
O ministro da Educação, Camilo Santana, avaliou o resultado como positivo, destacando que o país está próximo do objetivo e que metas mais ambiciosas estão previstas para o novo ciclo do PNE, que pretende elevar esse índice para 40% na próxima década.
Ensino Técnico Cresce, Mas Meta Está Longe
Outro destaque do relatório é o crescimento da educação técnica de nível médio, que chegou a 2,38 milhões de matrículas em 2024. Mesmo com esse avanço, o número está distante da meta de triplicar as matrículas e atingir 4,8 milhões, conforme estabelecido no PNE.
A participação de alunos do ensino médio na educação profissionalizante atingiu 13%, muito abaixo da média dos países da OCDE, que gira em torno de 40%. Para impulsionar a modalidade, o governo federal lançou o programa “Juros por Educação”, que incentiva estados a investirem no setor em troca de benefícios na renegociação de dívidas.
Educação de Jovens e Adultos Enfrenta Colapso
Na contramão dos avanços, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresentou queda significativa. Desde 2019, o número de matrículas despencou de 3,2 milhões para 2,3 milhões, uma redução de quase 1 milhão. A maior queda foi observada na rede pública, com retração de 28,5%, enquanto a rede privada registrou baixa de 5,2%.
Apesar dos esforços do MEC, como o lançamento do Pacto EJA e o aumento do valor repassado por matrícula, especialistas alertam para o abandono progressivo da modalidade por estados e municípios. A meta de erradicar o analfabetismo entre maiores de 15 anos até o final de 2024, também prevista no PNE, não foi alcançada.
Perspectivas e Investimentos Futuros
Líderes de instituições educacionais elogiaram os avanços, mas reforçaram a necessidade de políticas públicas robustas e investimentos contínuos. Segundo Daniela Caldeirinha, da Fundação Lemann, o ensino integral contribui para a aprendizagem e o engajamento dos jovens. Já Ana Inoue, do Itaú Educação e Trabalho, destacou a importância da integração entre ensino médio e formação profissional para democratizar o acesso à educação de qualidade.