Brasil anuncia nova estação para detectar testes com armas nucleares
As medições são realizadas por meio de diferentes técnicas, incluindo monitoramento sísmico, hidroacústico, infrassom e radionuclídeos
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 11/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
Nesta quarta-feira (10), durante uma reunião em Viena, o Brasil firmou um compromisso significativo para a construção de sua última estação de medição de radionuclídeos até 2026. Este equipamento é fundamental para a rede global que monitora a liberação de gases resultantes de testes nucleares, como o realizado pela Coreia do Norte em 2017.
A eficácia dessa rede depende da instalação de equipamentos em localizações estratégicas ao redor do mundo. As medições são realizadas por meio de diferentes técnicas, incluindo monitoramento sísmico, hidroacústico, infrassom e radionuclídeos. Embora o Brasil já possua seis estações que cobrem esses tipos de medição, a ausência da estação específica para radionuclídeos era um ponto crítico, visto que ela é a única capaz de detectar gases emitidos por explosões nucleares, mesmo em contextos subterrâneos ou submarinos.
A primeira estação brasileira para detecção de radionuclídeos foi instalada no Instituto de Radioproteção e Dosimetria, localizado no Rio de Janeiro. Contudo, a construção de uma segunda estação nunca foi concretizada. As coordenadas para estas instalações foram definidas em 1996 por especialistas do CTBTO (Comitê Preparatório da Organização do Tratado para Proibição Completa de Testes Nucleares).
Ao assinar o tratado, o Brasil recebeu duas coordenadas para as instalações necessárias. Uma delas localizava-se em Recife, próxima a uma unidade militar. Durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve avanços para viabilizar essa estação; no entanto, cientistas expressaram preocupações sobre o acesso restrito à área militar, conforme relatou Francisco Rondinelli Júnior, presidente da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear).
Na reunião mencionada, Rondinelli Júnior confirmou que a estação em Recife será finalmente construída no Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste, vinculado ao CNEM. O anúncio ocorreu em um encontro privado com Robert Floyd, secretário executivo do órgão técnico responsável pelo monitoramento do tratado.
“É crucial que não sejamos os últimos a completar essa iniciativa”, enfatizou Rondinelli Júnior. “Estamos com o processo licitatório em andamento e nossa meta é concluir a instalação até 2026. Com isso, forneceremos informações essenciais para toda a rede e também teremos acesso a dados relacionados não apenas aos testes nucleares, mas também a fenômenos naturais e questões ambientais emergentes no mundo.”
Floyd expressou entusiasmo pela conclusão da última estação necessária para finalizar a rede na América Latina e Caribe. Questionado sobre o papel do Brasil em incentivar países como Índia e outros membros do Brics a assumirem compromissos contra testes nucleares, Floyd manifestou sua esperança de que o governo Luiz Inácio Lula da Silva promova diálogos com estados que ainda não ratificaram o tratado. “O Brasil mantém boas relações com muitos desses países e incentivamos fortemente que utilize essa influência para encorajar outros Estados”, afirmou.
No total, 187 países assinaram o CTBT (Tratado para Proibição Completa de Testes Nucleares), dos quais 178 já ratificaram. A assinatura implica um compromisso político com o pacto, enquanto a ratificação representa sua incorporação legal após aprovação legislativa e sanção presidencial.
Entretanto, o CTBT só entrará em vigor quando um grupo específico de 44 Estados ratificar o documento. Esses países eram os que possuíam tecnologia nuclear civil ou militar em 1996. Atualmente, seis desses Estados – China, Egito, Irã, Israel, Rússia e EUA – assinaram o tratado mas ainda não ratificaram; enquanto três – Coreia do Norte, Índia e Paquistão – nem sequer assinaram.