Com peso valorizado, Brasil amplia vendas para a Argentina, inclusive de carnes
Exportações brasileiras para a Argentina crescem no 1º semestre, com destaque para veículos e carne bovina
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 25/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Entre os meses de janeiro e junho deste ano, as exportações brasileiras para a Argentina apresentaram um crescimento significativo, com destaque para os veículos de passageiros, que representaram 21,6% do total vendido, seguidos por autopeças e acessórios com 9,7%, além de veículos destinados ao transporte de mercadorias, que somaram 6,4%.
Outro dado notável refere-se ao comércio de carne bovina, um produto tradicional brasileiro. As exportações desse item cresceram de aproximadamente US$ 1 milhão no primeiro semestre do ano passado para impressionantes US$ 22,9 milhões no mesmo período deste ano. Essas informações são provenientes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e foram compiladas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Embora a participação da carne brasileira no mercado argentino ainda seja modesta — correspondendo a apenas 0,25% do total das exportações —, essa realidade não representa uma ameaça à produção local. Historicamente, frigoríficos estrangeiros atuam na Argentina e utilizam a carne brasileira principalmente em produtos processados, como hambúrgueres. No entanto, desde 2025, parte dessa carne começou a ser direcionada também para cortes diretos, conforme relatado por representantes do setor.
Preços mais baixos impulsionam as importações
Um apresentador da TV Crónica fez uma observação intrigante sobre essa nova dinâmica: “É algo insólito. No país conhecido pela sua carne e churrasco, estamos agora importando esse tipo de alimento do Brasil. É mais barato importar do que produzir aqui”. A diferença de preços é evidente; em março deste ano, o quilo da carne brasileira era comercializado a 9.000 pesos argentinos nas cidades da Patagônia, enquanto a carne nacional custava cerca de 22 mil pesos.

Além disso, consumidores argentinos têm notado que produtos como pão fatiado brasileiro e leite uruguaio são frequentemente oferecidos a preços mais competitivos em comparação aos produtos locais. Nérida Arsas, uma residente de Buenos Aires de 69 anos, comentou sobre essa situação.
Relações bilaterais favorecem comércio
No que diz respeito ao comércio inverso, o Brasil adquiriu US$ 6,2 bilhões em produtos argentinos no primeiro semestre deste ano, resultando em um superávit de US$ 3 bilhões favorável ao país. Esse aumento nas transações comerciais ocorre em meio ao aquecimento das relações entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei.

A Argentina tem intensificado suas importações em 2025. Dados recentes indicam que as compras externas alcançaram 32% do PIB no primeiro trimestre do ano — a maior proporção registrada em 135 anos — conforme análise da consultoria Argendata. Este aumento é atribuído à liberalização comercial promovida pelo governo argentino, que inclui redução de tarifas e desregulamentação, facilitando a entrada de produtos estrangeiros em diversos setores.
Impactos no setor produtivo da Argentina
Outro fator relevante é a valorização do peso argentino frente ao dólar americano, tornando os bens importados mais acessíveis aos consumidores. Essa situação também incentivou o turismo internacional, com argentinos viajando para cidades fronteiriças para realizar compras.
Santiago Bulat, economista e professor da IAE Business School, ressaltou que as importações argentinas estavam em níveis baixos no ano anterior devido às dificuldades econômicas impostas pelas políticas de Milei. Ele observa que a atividade econômica teve um crescimento acentuado nos primeiros meses deste ano; no entanto, há sinais de estagnação nos últimos meses.
Apesar do ambiente econômico mais estável atualmente, o aumento das importações tem gerado efeitos adversos para muitas empresas argentinas — especialmente as pequenas e médias — que estão enfrentando dificuldades competitivas. Mais de 11% dessas empresas exportadoras deixaram de operar no exterior devido à perda de competitividade e 41,3% das PMEs relataram queda nas vendas internas.
A associação das pequenas e médias empresas argentinas (IPA) alertou que as medidas voltadas para incentivar as importações não foram acompanhadas por políticas efetivas para proteger essas empresas locais. Como resultado, setores como o têxtil e o metalúrgico estão sofrendo aumentos significativos nas taxas de desemprego.
Embora o crescimento das importações argentinas pareça sustentável até o final deste ano, Bulat adverte que a ausência de uma reforma tributária robusta pode acentuar as dificuldades enfrentadas por certos setores devido à elevada carga tributária provincial.