Brasil alcança menor desigualdade de renda desde 2012, indica IBGE
Avanço nos rendimentos dos mais pobres sinaliza mudança positiva no cenário econômico
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 08/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
Em 2024, o Brasil apresentou a menor disparidade entre os rendimentos mais altos e mais baixos desde o início da série histórica em 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (8). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) revelou que os 10% da população com maior renda recebem, em média, 13,4 vezes mais do que os 40% com os menores rendimentos.
Embora o país ainda enfrente desafios significativos em termos de desigualdade, essa razão é a mais baixa já registrada. Em números absolutos, os 10% da população mais favorecida auferiram uma média de R$ 8.034, enquanto os 40% com menores rendimentos obtiveram uma média de R$ 601. Comparativamente, em 2018, a diferença era alarmante, com os ricos recebendo até 17,8 vezes mais do que os pobres.
Ao analisar um grupo ainda mais restrito — o 1% que possui os maiores rendimentos — a discrepância se torna ainda mais acentuada: em 2024, esse grupo teve um rendimento médio de R$ 21.767, representando 36,2 vezes a renda dos 40% mais pobres. Essa diferença teve uma leve redução em relação a 2023, quando a razão era de 39,2 vezes.
A Pnad Contínua fornece dados regulares sobre as receitas dos habitantes brasileiros, abrangendo rendimentos do trabalho, benefícios sociais, aposentadorias e outras fontes como aluguéis e investimentos financeiros.
Os dados mostram que houve um crescimento real significativo nos rendimentos das faixas mais baixas da população. Entre os 40% com as menores rendas mensais per capita, registrou-se um aumento de 9,3% em comparação com o ano anterior (de R$ 550 para R$ 601). Já para os 10% mais ricos, o crescimento foi modesto: apenas 1,5%, subindo de R$ 7.914 para R$ 8.034.
No contexto nacional, o rendimento mensal real domiciliar per capita alcançou um novo recorde histórico em 2024: R$ 2.020. Este valor representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, quando se situava em R$ 1.929.
Gustavo Fontes, analista do IBGE, comentou sobre a situação atual: “Observamos que nas classes de menor renda o crescimento ficou acima da média nacional. Por outro lado, as classes mais altas tiveram um aumento inferior à média geral.”
Dentre as razões que podem explicar essa melhoria nos rendimentos dos menos favorecidos está a ampliação dos lares beneficiados pelo Programa Bolsa Família e os valores médios pagos aos beneficiários.
A análise regional da Pnad revela que entre 2019 e 2024 os maiores avanços nos rendimentos dos grupos com menor renda ocorreram nas regiões Norte (54,7%) e Nordeste (51,1%), enquanto a Região Sul apresentou o menor crescimento (16,5%). Apesar disso, o Nordeste continua sendo a região com a menor renda per capita entre os 40% mais pobres (R$ 408), seguida pela região Norte (R$ 444). Em contraste, a Região Sul lidera com uma média de R$ 891.
Além disso, o Índice de Gini — indicador utilizado para medir a concentração de renda — também mostrou uma diminuição significativa em 2024, alcançando o valor de 0,506. Este é o índice mais baixo já registrado na série histórica e sinaliza uma redução na desigualdade.
Historicamente, entre os anos de 2012 e 2015 houve uma tendência de queda na desigualdade. No entanto, entre 2016 e 2018 o índice começou a subir novamente, atingindo seu pico em 2018 com um valor de 0,545. Nos últimos anos houve uma estabilização nesse índice: ele caiu para 0,518 em 2022 e manteve-se nesse patamar em 2023.
Fontes reforçou que embora haja avanços notáveis na distribuição de renda no Brasil em comparação com anos anteriores, o país ainda enfrenta desafios substanciais relacionados à desigualdade. “O Brasil continua sendo um país bastante desigual se comparado a diversos indicadores de distribuição de renda. Contudo, observamos progressos em nossa análise de dados recentes.”