Brasil registra queda em acidentes elétricos
Campanha educativa visa prevenir tragédias
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 28/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em 2024, o Brasil registrou um total de 685 acidentes relacionados à rede elétrica, o que representa uma diminuição de 12,4% em comparação aos 782 incidentes ocorridos em 2023. Este dado marca o menor índice desde o início da coleta anual pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), em 2017.
No entanto, um alerta importante acompanha essa redução: houve um aumento no número de fatalidades, que subiu de 250 para 257. As informações foram apresentadas na última quinta-feira (22), levantando preocupações sobre a segurança elétrica no país.
No primeiro ano da pesquisa da Abradee, em 2017, foram reportados 863 acidentes, incluindo tanto os fatais quanto os não fatais. Desde então, os dados têm mostrado oscilações, com variações nos registros a cada ano.
Além dos 257 óbitos registrados em 2024, ocorreram também 224 acidentes que resultaram em lesões graves e 204 que causaram lesões leves. Os principais fatores contribuindo para esses incidentes incluem práticas inadequadas na construção civil e falta de análise de riscos elétricos durante as atividades.
Marcos Madureira, presidente da Abradee, destaca que muitos acidentes fatais são decorrentes de negligências, como a construção de edifícios próximos ou abaixo das linhas elétricas e o uso impróprio de escadas metálicas ou vergalhões nas proximidades da fiação elétrica. “Essas situações não podem ser desconsideradas pelos profissionais envolvidos”, afirma Madureira em entrevista à Agência Brasil.
Sobre os acidentes envolvendo cabos energizados caídos ao solo, Madureira explica que muitos deles são provocados por quedas de árvores devido a ventos fortes ou colisões de veículos com postes. Ele alerta que, frequentemente, os cabos permanecem suspensos ou parcialmente ocultos, dificultando a percepção do risco. “Um dos pilares da nossa campanha é orientar a população a manter distância de fios caídos e contatar imediatamente a distribuidora local”, acrescenta.
A Abradee é composta por 42 concessionárias de energia elétrica, tanto estatais quanto privadas, atendendo mais de 90 milhões de clientes e cobrindo 99,6% do mercado consumidor brasileiro. Apesar da queda nos acidentes, Madureira expressa sua preocupação com o aumento das fatalidades. “Os números indicam que ainda temos um longo caminho pela frente. O crescimento dos acidentes fatais é um sinal claro da necessidade de intensificarmos nosso trabalho educativo sobre os perigos associados à rede elétrica”, comenta.
Para promover a segurança e minimizar os riscos, a associação está lançando uma nova edição de sua campanha nacional focada na prevenção de acidentes elétricos. A iniciativa incluirá material informativo e um site exclusivo dedicado ao tema.
Serão realizadas ações específicas como workshops e videoaulas voltadas para profissionais do setor da construção civil. “Nosso objetivo é levar conhecimento às pessoas que mais precisam dele diariamente”, ressalta Madureira.
No tocante à segurança das redes elétricas, ele também menciona que a implementação de redes subterrâneas pode ser uma solução viável para aumentar a segurança em áreas urbanas densamente povoadas. Contudo, essa alternativa implica altos custos — cerca de oito vezes mais do que as redes aéreas — e demanda um planejamento colaborativo entre prefeituras, empresas distribuidoras e órgãos reguladores.
“Quando for tecnicamente viável e economicamente justificável, o aterramento das redes deve ser considerado como uma estratégia significativa para melhorar a segurança e a estética urbana”, conclui Madureira.
A campanha educativa da Abradee utiliza o slogan “Movimento Zero Acidentes: A Segurança com a Rede Elétrica Começa por Você” e apresenta várias recomendações para garantir a segurança elétrica entre os cidadãos.