Brace traz dança de Edivaldo Ernesto ao Sesc Belenzinho

Coreógrafo moçambicano Edivaldo Ernesto apresenta performance Brace sobre e ancestralidade em curta temporada no Sesc Belenzinho

Crédito: Divulgação/Albert Vidal

A coreografia Brace ocupa o palco do Sesc Belenzinho entre os dias 9 e 12 de abril de 2026, trazendo a São Paulo uma investigação física sobre o limite do impacto. Criada pelo moçambicano Edivaldo Ernesto, a obra chega à capital paulista após circular por palcos da Itália, Grécia e Eslováquia.

O espetáculo Brace utiliza o conceito de “preparar-se para a colisão” como metáfora para a sobrevivência do corpo, transformando a tensão muscular e emocional em uma narrativa de resistência que desafia a estética tradicional do movimento.

O espetáculo funciona como um campo de forças onde o gesto nasce do colapso e da necessidade de recuperação imediata. Para o público, a experiência é sensorial e bruta, afastando-se da busca pela beleza plástica para focar em uma verdade visceral.

No Sesc Belenzinho, unidade que é referência para as artes cênicas na Zona Leste e de fácil acesso para moradores do Grande ABC, a montagem estabelece um diálogo entre o risco real da performance e a fragilidade da existência humana.

“Brace cria sua própria mitologia, transformando o corpo em território de reconstrução e autoficção. O viajante inventa caminhos para acessar os saberes de seus antepassados, percorrendo rastros fragmentados de um passado incompleto ou nunca devidamente escrito”, pontua a sinopse da obra sobre o mergulho na memória dos povos Zulos e Mwene Mutapa.

Ancestralidade e a técnica do movimento contínuo

Brace
Reprodução/ Instagram

Radicado na Alemanha e membro da prestigiada companhia Sasha Waltz & Guests, Edivaldo Ernesto funde danças tradicionais africanas com técnicas contemporâneas de improvisação. Sua trajetória como assistente de David Zambrano, criador das técnicas Flying Low e Passing Through, confere ao espetáculo uma dinâmica de solo e chão extremamente veloz e precisa.

A obra Brace é o resultado dessa fusão, onde o legado ancestral não é apenas um tema, mas a própria motorização do músculo que se move em cena.

A importância institucional desta curta temporada reside na oportunidade de intercâmbio cultural direto com uma das figuras mais influentes da dança improvisação atual. Ernesto desenvolveu metodologias como o Depth Movement, lecionadas em universidades internacionais, e traz para o palco paulistano uma carga de “dança-resistência”.

Para estudantes de artes do ABC e da capital, a presença do coreógrafo representa um acesso raro a uma linguagem que rompe fronteiras geográficas, conectando Moçambique, Europa e América Latina em um único fôlego coreográfico.

Repercussão e o cenário das artes na capital

Sesc Belenzinho/ Brace
Divulgação/Sesc

O impacto de uma obra como Brace no circuito cultural de São Paulo reforça a curadoria do Sesc em promover espetáculos de alta densidade emocional. A curta duração da temporada exige atenção do público interessado em produções internacionais de vanguarda.

Em um cenário onde a dança contemporânea busca novas formas de engajamento com a realidade social, a performance de Ernesto se destaca por não ignorar as lacunas e silêncios da história negra, transformando a ausência de registros em movimento de invenção.

Os desdobramentos futuros dessa apresentação podem ser vistos na oxigenação da cena local, inspirando coletivos de dança da região metropolitana a explorarem temas de autoficção e memória. O acompanhamento da carreira de Edivaldo Ernesto, que também assina obras como Tears e Mystical Self, é essencial para compreender as tendências globais da performance.

Quem comparecer ao Belenzinho encontrará mais do que um espetáculo de dança: encontrará um ritual de sobrevivência que utiliza o impacto como ponto de partida para a reconstrução da identidade.

Serviço: espetáculo Brace

Datas: 9 a 12 de abril de 2026
Horários: Quinta a sábado às 21h30; domingo às 17h
Preços: R$ 15 (credencial plena), R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira)
Local: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000

  • Publicado: 03/04/2026 12:19
  • Alterado: 03/04/2026 12:20
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Sesc Belenzinho