Botafogo cai para a Série B

Pela segunda vez em sua história, equipe dos grandes times, foi rebaixada para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, após derrota dolorosa para o Santos

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O Botafogo sacramentou uma das páginas mais tristes de sua história neste domingo. A crise financeira, o afastamento de jogadores, as contratações sem planejamento e o baixíssimo nível técnico da equipe cobraram seu preço com a segunda queda do clube à Série B do Campeonato Brasileiro em sua história de mais de cem anos – a outra aconteceu em 2002.

A derrota por 2 a 0 para o Santos, na Vila Belmiro, apenas confirmou um rebaixamento que já estava escrito há muito tempo. O resultado manteve o Botafogo com 33 pontos, na penúltima colocação, à frente apenas do Criciúma. Já sem chances de salvação, a equipe de Vágner Mancini fará um melancólico confronto com o Atlético-MG na semana que vem, pela última rodada, em Brasília. A faixa de um torcedor, que dizia “amo o Botafogo, e não a Série A”, deu o tom de um dia para ser esquecido, no qual os cariocas entraram em campo já sabedores de seu triste destino.

Já o Santos, que não tinha nada a ver com isso, cumpriu seu papel e encerrou um jejum de nove partidas sem vitórias. Mesmo sem grande esforço, a equipe dominou o jogo e ainda viu o contestado Leandro Damião voltar a brilhar, ao marcar os dois gols. Com isso, subiu para 50 pontos, na nona posição. Na última rodada, pega outro desesperado, o Vitória, no Barradão, no domingo.

O JOGO – O Santos demorou apenas um minuto para levar perigo, quando Gabriel aproveitou toque errado no meio de campo e emendou por cobertura, de longe, rente à trave. Aos nove, após falta da esquerda, Thiago Ribeiro ficou com a sobra. Esperto, viu Gabriel partindo sozinho pela direita e lançou. O atacante dominou e rolou no meio para David Braz, que, na linha da pequena área, conseguiu isolar. O desesperado Botafogo parecia mais resignado do que esperançoso e sequer ameaçava o gol santista. Os donos da casa, por sua vez, ficavam com a bola no campo de ataque, tocando de lado e esperando um espaço. Mesmo sem forçar, criavam muito mais e levavam perigo ao adversário.

A ausência de ímpeto do Santos e a total falta de criatividade do Botafogo deixaram o jogo morno. Somente quando Robinho lembrou seus melhores dias, o time da casa voltou a levar perigo. Aos 28 minutos, ele recebeu na entrada da área e em um espaço mínimo, colocou entre as pernas de Dankler. Só que na hora de bater, pegou mal e praticamente recuou para Jefferson. Uma cabeçada de André Bahia à direita do gol e um chute de longe de Gabriel, facilmente defendido por Aranha, foram as únicas finalizações botafoguenses em todo o primeiro tempo. Já o Santos ainda teve uma última grande chance com Gabriel, que acertou cabeçada na trave. O lance gerou uma ríspida discussão, com troca de empurrões, entre Andreazzi e Dankler, que mostrou bem o clima pairava sobre o Botafogo.

O Botafogo voltou para o segundo tempo com o garoto Maikon na vaga de Bruno Correa, tentando ganhar ânimo, mas foi a alteração do Santos que decidiu. Depois de entrar no lugar de Robinho, Leandro Damião precisou de apenas dois minutos para marcar. Recebeu dentro da área, deu dois bons cortes em Dankler e bateu cruzado no canto esquerdo de Jefferson. Se já parecia aceitar o resultado com o empate, a derrota parcial fez o Botafogo esmorecer de vez. O que se viu daí para frente foi o cenário perfeito da triste realidade botafoguense. Sem reação, os 11 jogadores do clube carioca viam o adversário, completamente desinteressado, tocar a bola.

O rebaixamento já não parecia mais um pesadelo, era uma realidade contra a qual eles não tinham força alguma para lutar contra. Muito mais próximo do segundo gol do que o Botafogo do primeiro, o Santos ainda perdeu boas chances com Thiago Ribeiro e Diego Cardoso, antes que Damião, enfim, selasse o placar e colocasse a última pá de cal sobre os cariocas.

FICHA TÉCNICA:
SANTOS 2 X 0 BOTAFOGO
SANTOS – Aranha; Daniel Guedes, Edu Dracena, David Braz e Caju; Alison, Renato e Lucas Lima; Thiago Ribeiro (Diego Cardoso), Robinho (Leandro Damião) e Gabriel (Serginho). Técnico: Enderson Moreira.
BOTAFOGO – Jefferson; Régis Souza, Dankler, André Bahia e Junior Cesar; Gabriel, Airton, Andreazzi (Murilo) e Ronny (Gegê); Yuri Mamute e Bruno Correa (Maikon). Técnico: Vágner Mancini.
GOLS – Leandro Damião, aos dois e aos 44 minutos do segundo tempo.
ÁRBITRO – Paulo Henrique Godoy Bezerra (SC).
CARTÕES AMARELOS – Caju (Santos); Junior Cesar (Botafogo).
RENDA – R$ 126.750,00.
PÚBLICO – 4.269 torcedores
LOCAL – Estádio Vila Belmiro, em Santos (SP).

REBAIXADO, BOTAFOGO MUDA PLANOS POR MEDO DA TORCIDA
O elenco do Botafogo, rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro, já está no Rio. Diferente do que informava a assessoria de imprensa do clube, os jogadores viajaram de ônibus de São Paulo para o Rio e chegaram no começo da manhã desta segunda-feira ao Engenhão. De lá, cada atleta foi para a sua casa.

A informação inicial era de que o elenco viajaria de avião e chegaria ao Aeroporto Internacional do Galeão. Após a derrota para o Santos e a concretização do rebaixamento, porém, o clube preferiu despistar e viajar de ônibus sem avisar a imprensa. Tudo para fugir de possíveis protestos da torcida.

O novo presidente do clube, Carlos Eduardo Pereira, que assumiu na semana passada, deve conceder entrevista coletiva nesta segunda-feira. No site oficial, o clube pediu “desculpas a essa imensa e apaixonada torcida”, dizendo que “foram muitos problemas, erros e derrotas”, prometendo que em 2015 clube, torcida, diretoria vão “fazer essa estrela voltar a brilhar”.

Ainda no domingo, em entrevista coletiva, o técnico Vagner Mancini lamentou a queda e o cenário que se desenhou impossibilitando que o elenco evitasse o rebaixamento. “Sabíamos que quatro desceriam e um deles é o Botafogo, infelizmente. Temos que aceitar. Não desenvolvemos o que teríamos que desenvolver. Foi um retrato do que foi desenhado ao longo do ano. Não caímos hoje. O clube teve uma série de problemas que todos expuseram. Temos que ser francos. Sabíamos que era difícil, mas em nenhum momento a equipe jogou a toalha. Lutamos, fomos bravos, mas não foi suficiente.”

  • Publicado: 11/02/2026
  • Alterado: 11/02/2026
  • Autor: 01/12/2014
  • Fonte: Itaú Cultural