Boreout: o “primo silencioso” do burnout que ameaça sua saúde mental
Alguns sintomas típicos do boreout são apatia, torpor, procrastinação e dificuldades de concentração
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 12/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O fenômeno do boreout, que se refere ao esgotamento no ambiente de trabalho resultante do tédio, é frequentemente descrito como o “primo silencioso” do burnout. Enquanto este último está associado à pressão excessiva e à sobrecarga de trabalho, o boreout surge da ausência de desafios e da sensação de subutilização das capacidades profissionais.
Segundo o médico Marco Antonio Spinelli, especialista em psiquiatria pela USP (Universidade de São Paulo), ambos os estados compartilham um elemento comum: a desmotivação. No entanto, as causas são diametralmente opostas: enquanto o burnout provoca exaustão por meio da sobrecarga, o boreout resulta do vazio gerado pela falta de atividades significativas.
A desvalorização do profissional se destaca como um dos principais fatores associados ao boreout. Especialistas apontam que essa condição não é uma falha do colaborador, mas sim uma consequência de ambientes de trabalho que negligenciam as potencialidades individuais. Gabriele Zanelato, neuropsicóloga com especialização em neurociência pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), enfatiza que “o boreout é cultivado em locais que não reconhecem as habilidades dos funcionários”.
Francisco Nogueira, psicanalista e idealizador do projeto Relações Simplificadas, traça um paralelo entre o boreout e uma situação extrema de privação sensorial. Ele explica que o estresse pode ser provocado tanto pela falta quanto pelo excesso de estímulos no ambiente laboral.
A psicóloga e palestrante Thirza Reis elenca alguns sintomas típicos do boreout, como apatia, torpor, procrastinação e dificuldades de concentração. O presenteísmo, em que o trabalhador está fisicamente presente mas mentalmente ausente, também é um sinal preocupante. De acordo com Thirza, a falta de significado no trabalho pode levar a quadros mais graves, como a depressão.
Para aqueles que suspeitam estar enfrentando boreout, alguns sinais de alerta podem ser observados:
- Apatia: Este sintoma manifesta-se como um desligamento gradual do trabalho. Diferente da ansiedade que caracteriza o burnout, no boreout a pessoa pode parecer presente fisicamente, mas não possui motivação ou entusiasmo para se envolver nas atividades.
- Procrastinação: A dificuldade em realizar até mesmo tarefas simples é um forte indicativo do boreout. A energia para enfrentar obrigações diminui à medida que a monotonia se instala.
- Sensação de Inutilidade: Profissionais podem começar a acreditar que seu trabalho não possui relevância ou impacto, o que deteriora sua autoestima e contribui para a desmotivação.
Para mitigar os efeitos do boreout e evitar seu agravamento, especialistas sugerem algumas estratégias práticas:
- Pedir Desafios: Tomar a iniciativa e solicitar mais responsabilidades à liderança pode ser uma maneira eficaz de combater a apatia. Marco Antonio ressalta que a falta de desafios alimenta o esgotamento silencioso e enfatiza a importância de expressar interesse por novas atribuições.
- Manter-se Curioso: A curiosidade é uma ferramenta essencial para evitar o tédio. A psicóloga Aline Graffiette sugere que indivíduos curiosos busquem constantemente novas experiências para revitalizar sua rotina e engajamento no trabalho.
- Criar Vínculos Reais: Estabelecer conexões humanas autênticas é fundamental para combater o sentimento de isolamento. Thirza recomenda interações genuínas com colegas para restaurar o sentido coletivo no ambiente laboral.
- Equilibrar Objetivos Pessoais e Profissionais: Para evitar o boreout, é crucial alinhar expectativas pessoais às demandas do cargo. Gabriele Zanelato afirma que ter clareza sobre os próprios objetivos ajuda a filtrar oportunidades significativas no ambiente de trabalho.
A compreensão e o enfrentamento do boreout são essenciais para garantir um ambiente laboral saudável e produtivo. Reconhecer os sinais e adotar medidas ativas pode transformar a experiência profissional, promovendo engajamento e satisfação no trabalho.