Médicos avaliam procedimento adicional para tratar soluços de Bolsonaro

Equipe estuda bloqueio do nervo frênico após correção de hérnia; decisão dependerá da evolução clínica no pós-operatório

Crédito: Antonio Augusto/STF

Profissionais de saúde que acompanham o ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam a possibilidade de realizar um procedimento adicional para o controle das crises persistentes de soluço que ele vem enfrentando nos últimos meses. A medida poderá ser adotada após a cirurgia de hérnia inguinal bilateral, marcada para esta quinta-feira, 25, no Hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado.

A informação foi confirmada por integrantes da equipe médica em entrevista concedida na manhã desta quarta-feira, 24, em frente à unidade hospitalar. Segundo os médicos, a intervenção em análise consiste em um bloqueio anestésico do nervo frênico, responsável pela inervação do diafragma e diretamente envolvido no reflexo do soluço.

Bloqueio anestésico será avaliado após cirurgia principal

De acordo com o cirurgião-geral Claudio Birolini, responsável pelo acompanhamento do caso, o procedimento não será realizado de forma simultânea à cirurgia de hérnia. A decisão será tomada apenas após a reavaliação clínica no pós-operatório.

Segundo o médico, o bloqueio do nervo frênico não é considerado uma prática padrão para o tratamento de soluços, embora seja relativamente seguro quando indicado de forma criteriosa. A escolha dependerá da análise entre riscos e benefícios, levando em conta a resposta do paciente após a cirurgia abdominal.

Birolini explicou ainda que o bloqueio não é classificado como cirurgia e, caso seja indicado, deverá ocorrer possivelmente no início da próxima semana, dentro do período de internação.

Cirurgia aberta e histórico clínico complexo

Bolsonaro
Reprodução/Redes Sociais.

O médico informou que, devido ao histórico de múltiplas cirurgias abdominais realizadas após a facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, o procedimento de correção da hérnia não poderá ser feito por laparoscopia, técnica menos invasiva. A opção adotada será a cirurgia aberta, considerada mais segura nesse contexto.

A expectativa da equipe é que o ex-presidente permaneça internado por um período entre cinco e sete dias, a depender da evolução clínica no pós-operatório. A cirurgia está prevista para começar às 9h desta quinta-feira, com duração estimada de cerca de quatro horas.

Exames pré-operatórios e boletim médico

Nesta quarta-feira, Bolsonaro passou por uma bateria de exames pré-operatórios, incluindo avaliações cardiológicas e de risco cirúrgico. Em boletim médico divulgado após os exames, a equipe informou que o paciente foi considerado apto para o procedimento.

O documento confirma que a herniorrafia inguinal bilateral será realizada conforme o planejamento e que a necessidade do bloqueio anestésico do nervo frênico seguirá sendo reavaliada durante a internação, conforme a evolução clínica e a resposta do organismo à cirurgia.

A recuperação da anestesia geral, segundo os médicos, deve levar entre uma hora e meia e duas horas após o término do procedimento.

Aspectos emocionais influenciam quadro clínico

Outro integrante da equipe médica, Brasil Ramos Caiado, comentou que o estado emocional do ex-presidente tem influência direta nas crises de soluço. Segundo ele, Bolsonaro apresenta sinais de ansiedade e abatimento emocional, o que pode agravar o quadro e prejudicar o sono.

O médico afirmou que o paciente tem histórico prévio de depressão e ansiedade, fatores que tendem a se intensificar em períodos de internação e expectativa cirúrgica. A condição, segundo Caiado, é comum em pacientes da mesma faixa etária e contexto clínico.

Cirurgia e autorização judicial

Como Bolsonaro cumpre pena em razão de condenação relacionada à trama golpista, a realização da cirurgia ocorre sob autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente deixou a Superintendência da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira para se dirigir ao hospital.

Durante a internação, estão autorizadas visitas da esposa, Michelle Bolsonaro, e dos filhos Flávio, Carlos Jair Renan e Laura Bolsonaro. No entanto, por determinação judicial, nenhum visitante pode portar telefones celulares ou dispositivos eletrônicos dentro do hospital.

A equipe médica informou que novas atualizações sobre o estado de saúde do ex-presidente serão divulgadas conforme a evolução do quadro clínico após a cirurgia.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 24/12/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade