Bolsonaro tem prisão mantida após alegar surto com remédios
Ex-presidente negou plano de fuga e citou paranoia medicamentosa ao violar tornozeleira eletrônica.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 23/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
Durante audiência de custódia realizada neste domingo (23), Bolsonaro teve sua prisão mantida pela Justiça após prestar esclarecimentos sobre a violação de sua tornozeleira eletrônica. O ex-presidente argumentou que o ato foi motivado por um “surto” decorrente do uso de medicamentos e negou veementemente qualquer tentativa de fuga.
Segundo a ata da sessão, assinada pela juíza auxiliar Luciana Sorrentino, a magistrada confirmou a legalidade dos procedimentos da Polícia Federal e decidiu pela continuidade da detenção. No depoimento, Bolsonaro relatou episódios de “alucinação”, descrevendo uma crença infundada de que haveria um dispositivo de escuta implantado no equipamento de monitoramento.
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Detalhes do depoimento e o uso de medicamentos
A defesa apresentou argumentos baseados no estado psicológico do ex-presidente. Bolsonaro afirmou estar sofrendo de uma “certa paranoia” provocada pela ingestão de remédios iniciada quatro dias antes do incidente. Ele detalhou que, movido por um sono irregular e pelo surto psicótico, utilizou um ferro de solda para tentar abrir o dispositivo, alegando possuir conhecimento técnico para a ação.
O ex-mandatário explicou que manipulou a tornozeleira por volta da meia-noite, mas que, ao perceber a gravidade do ato, interrompeu a ação e contatou os agentes de custódia. Em sua narrativa, ele enfatizou não se lembrar de ter vivenciado um surto semelhante anteriormente.
Decisão do STF e cenário jurídico
A situação jurídica de Bolsonaro será reavaliada nesta segunda-feira (24) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Em sessão extraordinária agendada entre 8h e 20h, os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin decidirão se mantêm a determinação do ministro Alexandre de Moraes. Moraes não votará nesta etapa.
Caso a prisão preventiva seja confirmada, ela poderá se estender por tempo indeterminado, sujeita a revisões obrigatórias a cada 90 dias, conforme prevê a legislação brasileira.
Além da atual custódia, Bolsonaro enfrenta uma condenação severa de 27 anos e três meses por envolvimento em trama golpista. Embora esta pena não seja a causa imediata da prisão atual, o prazo para recursos da defesa se encerra também nesta segunda-feira. Devido ao tempo de condenação superior a oito anos, o cumprimento da pena deverá ocorrer em regime fechado.