Bolsonaro é alvo de operação da PF e pode cumprir pena de até 40 anos de prisão

Ex-presidente, Bolsonaro, usará tornozeleira eletrônica por ordem do STF

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (18) uma operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As medidas são parte das investigações que apontam o envolvimento de Bolsonaro em uma tentativa de golpe de Estado.

O ex-presidente também é acusado de liderar uma organização criminosa armada e de incentivar ataques às instituições democráticas após a eleição de 2022.

Durante o mandato, Bolsonaro fez reiteradas declarações de teor golpista, desafiou abertamente o STF, questionou a legitimidade do sistema eleitoral e incentivou a desinformação nas redes sociais.

Após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva, ele alimentou teorias de fraude e encorajou a manutenção de acampamentos golpistas em frente a quartéis, os quais culminaram nos ataques do 8 de Janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas.

TSE e STF já haviam condenado Bolsonaro por ataques à democracia

Jair Bolsonaro já havia sido condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por espalhar mentiras sobre as urnas eletrônicas e o sistema de votação brasileiro. Essa decisão o tornou inelegível até 2030. O ex-presidente também é réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de chefiar a tentativa de golpe de 2022, em articulações que envolveram militares e aliados próximos.

Em declarações públicas, Bolsonaro admitiu ter se reunido com integrantes das Forças Armadas para discutir formas de intervir no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reverter o resultado das urnas. A prática de descredibilizar o sistema eleitoral, combinada com ações concretas para anular a vitória de Lula, embasaram o avanço das investigações da PF.

Condenação pode ultrapassar 40 anos de prisão

O ex-presidente está sendo investigado por uma série de crimes graves, entre eles: tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado por violência contra o patrimônio público e deterioração de bem tombado. Somadas, essas acusações podem levar a uma pena superior a 40 anos de prisão.

Além das buscas, Bolsonaro deverá passar a usar tornozeleira eletrônica, conforme decisão do STF. A medida visa monitorar seus movimentos enquanto o processo judicial se desenrola. Mesmo fora do cargo, o ex-presidente continua no centro das tensões políticas do país, e seu caso é visto como um teste à resiliência das instituições democráticas brasileiras diante de ameaças autoritárias.

Bolsonaro e o histórico de flertes com a ditadura

A trajetória política de Jair Bolsonaro é marcada por elogios à ditadura militar (1964–1985) e por declarações que relativizam a prática da tortura durante o regime. Ao longo do seu mandato, ele manteve essa retórica autoritária, o que fortaleceu a base ideológica de apoiadores mais radicais e sustentou discursos antidemocráticos que agora são alvo de ações judiciais.

Segundo o processo em andamento, seu comportamento teria sido decisivo para insuflar a população contra as instituições e promover uma ruptura institucional. O cerco judicial ao ex-presidente se estreita em um momento de esforço por parte das autoridades para responsabilizar os envolvidos nas ações que atentaram contra o Estado democrático de Direito.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 18/07/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show