Bolsonaro: O Mártir de Tornozeleira e a Ala dos Esquartejados
Condenação, saúde, sucessão e fragmentação: a tragicomédia da política brasileira ao melhor estilo Juca e Jabor
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 22/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
Se alguém dissesse há três anos que Jair Messias Bolsonaro, o mito dos mitos, acabaria confinado em casa, cercado de médicos, advogados, filhos e um batalhão de seguranças armados até os dentes, você provavelmente desconfiaria. Mas eis que a vida política nacional resolveu superar o melhor roteiro de novela mexicana com pitadas de “Comédia da Vida Privada” e um quê de tragédia grega low-cost.
O fato: Bolsonaro, outrora senhor de 58 milhões de votos, agora ostenta uma coleção de títulos nada republicanos – condenado a 27 anos de prisão pela ousada, porém desastrada, empreitada de golpe de Estado. Uma façanha digna de quem já quis se eternizar no poder, mas acabou eternizando mesmo foi sua ficha criminal. E não, caro leitor, nem Roberto Jefferson teve tanto destaque nos trendings da Papuda.
Direita, volver! Mas para onde?
No vácuo deixado pelo capitão, a direita brasileira se encontra em um espetáculo digno de circo itinerante. São alas que se digladiam pelo espólio de um mito caído, enquanto tentam decidir quem vai herdar o cinturão dourado da oposição. Uns querem aliança com o centrão, outros juram de pés juntos que negociar com o Supremo é coisa de comunista infiltrado. Há quem sonhe com anistia, outros com exílio dourado – todos, claro, sonham muito, mas dormem pouco.
Quebrando o senso comum, a fragmentação não é discreta: temos governadores que se tratam como ratos oportunistas (cortesia do sempre elegante Carlos Bolsonaro), deputados que veem traição em qualquer aceno pragmático e um Tarcísio de Freitas tentando equilibrar-se em cima desse picadeiro político como se fosse artista de circo russo, sem rede, sem aplausos e, às vezes, sem rumo.
O Bastão de Ouro: Entre Mitos e Sombra
Por falar em bastão, Bolsonaro, mesmo inelegível até 2062 (quando, segundo previsões, só ressuscitaria por milagre ou por tecnologia alienígena), segura o comando como quem agarra o último prato de picanha no churrasco. Recusa-se a indicar sucessor, e com isso mantém a plateia cativa esperando o próximo “aviso importante à nação”, que nunca chega.
O suspense é tamanho que já se discute quem será o novo “mito” – Carlos, Eduardo, Tarcísio, Michelle, a pomba da Praça dos Três Poderes ou a própria tornozeleira eletrônica. Afinal, o verdadeiro legado do bolsonarismo é a dúvida: quem vai herdar o trono (ou a coleira) do patriarca?
Saúde de Ferro – Ou Quase Isso
Enquanto a sucessão pega fogo, Bolsonaro vive entre seringas, exames e laudos médicos que mais parecem capítulos de “House” misturado com “Dr. Rey em Brasília”. O ex-presidente deixou a prisão domiciliar para exames, cercado por seguranças armados como se estivesse indo para a Normandia, só que o destino era um laboratório – e o maior risco era um jejum de 12 horas.
Diagnóstico: anemia de ferro (culpa da alimentação, dizem), resquício de pneumonia (culpa da ansiedade, talvez), refluxo controlado, hipertensão monitorada e oito lesões retiradas da pele – porque plot twist nunca é demais.
Os aliados, sempre muito criativos, agarraram os laudos como argumento para transformar a prisão em casa em cláusula pétrea da Constituição bolsonarista: “Prendam, mas com Netflix, ar-condicionado e consulta mensal com o Birolini.”
Enquanto isso, Carlos Bolsonaro, no melhor estilo filho indignado e twitteiro de plantão, denuncia o comboio de 20 policiais armados como se o pai fosse um Robin Hood perseguido por xerifes malvados. No fundo, sabemos: a verdadeira humilhação é sair da presidência direto para a maca, sem nem mesmo um reality show da Record para aliviar o tédio.
Família Unida Jamais Será Vencida (Ou Será?)
A cada diagnóstico, uma briga no grupo de WhatsApp dos Bolsonaro. Carlos xinga governadores, Eduardo critica Tarcísio e sonha com a Casa Branca, Michelle faz cara de paisagem e Jair Renan posta stories sem contexto. Tudo muito coeso, como sempre. O patriarca, proibido de dar declarações, só acena discretamente na janela – talvez preocupado em não ser confundido com a própria estátua de cera.
Os aliados, por sua vez, oscilam entre a lealdade canina e a paranoia persecutória: dizem que tentar encontrar novo líder é trair o capitão – afinal, mito bom é mito eterno, mesmo que a ficha criminal do chefe ocupe mais páginas que o Código Penal inteiro.

Pragmáticos X Radicais: A Novela Continua
De um lado, os pragmáticos querem transformar a direita em algo palatável, capaz de dialogar com o Supremo, negociar com o centrão e, quem sabe, sobreviver até a próxima eleição sem virar meme. De outro, os radicais preferem incendiar a República: defendem sanções a autoridades, acusam o Judiciário de ditadura e acham que qualquer conversa civilizada é coisa de petista arrependido.
Eduardo Bolsonaro, agora nos EUA (terra de sonhos e armas), lidera a turma do “quanto pior, melhor” – critica até o pai por querer paz com o STF e já cogita mudar de partido, de nome e talvez de planeta, se for preciso. No Brasil, Tarcísio tenta costurar uma frente ampla, mas sem largar o mito – porque, no fundo, sabe que qualquer passo em falso vira manchete e briga de grupo.
O Futuro da Direita: E Agora, Quem Poderá Nos Defender?
Com Bolsonaro fora do páreo, mas colado no tabuleiro via tornozeleira e Twitter dos filhos, a direita ensaia um samba do crioulo doido. Uns querem diálogo, outros querem guerra, todos querem poder – ninguém sabe quem será o próximo protagonista desse teatro do absurdo.
Talvez a melhor definição do atual momento seja: ninguém quer romper com o mito, mas todos querem sentar na cadeira presidencial. Um dilema digno de novela das oito, com direito a vilões caricatos, mocinhos improváveis e plateia dividida entre torcer para o STF ou para o IBGE.
Conclusão: Entre Tornozeleiras e Bastões, O Show Não Pode Parar
No fim das contas, Bolsonaro deixa um legado involuntário: um exército fragmentado, uma direita que não sabe se vai ou se fica, filhos que brigam pelo posto de sucessor e governadores que oscilam entre a bajulação e a punhalada. No campo da saúde, transformou a própria debilitação em bandeira política – mostrando que, na falta de argumentos, um bom atestado médico resolve qualquer impasse.
Se Juca Chaves fosse compor, diria que “na política brasileira, quem não tem tornozeleira, caça com laudo”. Se Jabor fosse narrar, profetizaria: “resta-nos contemplar, entre ironias e tragédias, esse espetáculo onde a direita se reinventa, se fragmenta, mas jamais – jamais mesmo – perde o ritmo da dança cínica do poder”.
O Brasil segue, entre piadas e tragédias, esperando o próximo capítulo. Porque, convenhamos, nesse teatro de absurdos, o roteiro sempre pode piorar. E, no fundo, a gente gosta mesmo é do show.