Bolsonaro na fila do xadrez: STF apressa o Natal do capitão com possível presente ser o xilindró

Crônica da queda de um mito, entre recursos, ironias e o cheiro da Papuda no ar

Crédito: Fellipe Sampaio/STF

Prepare o panetone: o Supremo Tribunal Federal, numa pressa digna de Black Friday jurídica, estima que Jair Bolsonaro, nosso ex-presidente e eterno protagonista do telecatch político nacional, poderá trocar o roupão da prisão domiciliar pelo modelito listrado do regime fechado até dezembro. Quem sabe não vira tradição natalina? Nada de Papai Noel descendo pela chaminé, mas sim um capitão subindo a rampa para o presídio. E não se engane: se o STF acordar inspirado, Bolsonaro pode até passar o Halloween já em nova moradia, a depender do apetite dos ministros por despachar recursos.

Mas, antes que o leitor derrube o café sobre o jornal, convém lembrar: tudo depende dos tais recursos, essa dança dos embargos de declaração — a modalidade jurídica onde o condenado finge que pode mudar o destino, e o tribunal finge que pode esclarecer algo mais. O roteiro é o de sempre: acórdão publicado, defesa choramingando embargos, Procuradoria-Geral da República dando o ar da graça, e as engrenagens do Judiciário girando no ritmo de samba-enredo. Se os advogados capricharem no requinte do argumento, a prisão pode até atrasar, mas a lista de Natal já está feita.

Leia também: A sustentação Homem-Aranha das defesas

Currículo penal: do Planalto à Papuda, com escalas em abolição e conspiração

Bolsonaro não se contentou em ser acusado de um pequeno delito: foi condenado a 27 anos e 3 meses — nem Fernandinho Beira-Mar faz inveja — por tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada (com direito a armas, fardas e memes), dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado. Essa última, aliás, é como riscar o carro oficial no estacionamento do Palácio, só que com tanques. Do total, quase 25 anos de reclusão e ainda sobra para detenção: é tempo suficiente para aprender a cozinhar miojo com água fria da cela.

E não para por aí: de brinde, o STF também impôs oito anos de inelegibilidade, a serem contados depois do fim da pena, o que significa que Bolsonaro só volta para a urna — não a eletrônica, mas talvez a funerária — em 2062, isso se os algoritmos ainda permitirem contar votos até lá.

O carrossel dos recursos: embargos, procrastinação e o sonho do Habeas Corpus

No grande teatro do Judiciário brasileiro, os embargos de declaração são como aquela última rodada do bar: ninguém quer ir embora, mas todo mundo sabe que é hora de fechar. A defesa de Bolsonaro, como um mágico desesperado, tira embargos da cartola: primeiro, embargos para confundir; depois, embargos para enrolar. E, se o show der certo, os prazos dobram — 35 dias para publicar o acórdão, mais cinco para a defesa resmungar, cinco para a PGR resmungar de volta, e assim segue o samba do processo doido.

Há quem diga no STF que dava, sim, para prender antes, porque, convenhamos, embargo de declaração não muda sentença, é só firula para advogado faturar umas horas extras. Mas, justiça seja feita — e longa —, o tribunal prefere dar tempo ao tempo, como quem espera o bolo crescer para ver se não sola.

Mapa da cadeia: Papuda, PF ou o quartel que ninguém quer

Onde Bolsonaro vai repousar seu pijama patriótico? As apostas estão abertas. Temos a Superintendência da Polícia Federal em Brasília — sempre na moda, frequentada por quem já foi alguém, tipo Lula —, uma cela especial no Centro Penitenciário da Papuda (o terror dos políticos de colarinho branco) ou, para os mais nostálgicos, um quartel do Exército. Essa última, convenhamos, só é cogitada por quem ainda acredita em disco voador. O próprio STF acha a ideia tão ruim que teme aglomeração de apoiadores em frente ao quartel, misturando patriotismo com churrasco de protesto.

Para a Papuda, Bolsonaro já sente calafrios: o complexo recebeu Maluf, Estevão e outras celebridades do colarinho sujo. Dizem até que a decoração da cela já foi pensada para receber presidentes arrependidos. Na PF, existe uma cela VIP: banheiro, mesa, cama e televisão, tudo que um ex-mandatário precisa para reclamar da saudade do tempo em que mandava prender.

Defesa em ação: apelações, atestados médicos e o drama da saúde frágil

Enquanto isso, a defesa de Bolsonaro prepara o roteiro do próximo drama: “O Capitão e o Laudo”. A estratégia é esgotar todos os recursos, para então pedir prisão domiciliar alegando saúde debilitada. Aos 70 anos, seis cirurgias e um histórico de sustos desde o atentado de 2018, Bolsonaro pode acabar transformando a cela em enfermaria — ou, ao menos, tentar. O que não impede, claro, que o STF baixe o decreto: “É regime fechado e ponto, Capitão”.

Mas atenção: se Bolsonaro escorregar novamente nas medidas cautelares — aquelas regras básicas que qualquer adolescente rebelde aprende a desobedecer —, o STF pode acelerar o processo e garantir uma cela antes do fim dos embargos. E, se houver risco de fuga, é avião da PF na pista.

Cenário polarizado: anistia, pressão e o Brasil em looping

No fundo, o espetáculo da prisão de Bolsonaro ocorre sob holofotes de uma plateia dividida. De um lado, aliados pressionam por anistia no Congresso, apostando naquele tradicional “perdão salva-pátria” que só existe no Brasil. De outro, ministros do STF fazem cara feia para perdão antecipado, temendo abrir precedente para uma nova temporada de “Crimes à brasileira”.

Tudo isso, claro, apimentado pelo clima de eleição presidencial no ano que vem. O país segue em seu eterno looping de polarização, onde cada decisão do STF é vista como jogada política e cada recurso da defesa ganha ares de revolução. Se antes a urna era o palco, agora é a Papuda que vira símbolo do embate nacional.

O futuro do ex-capitão: grades, lembranças e uma lição à brasileira

Julgamento de Bolsonaro no STF
Imagem gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

Resta saber como Bolsonaro, acostumado a lives e multidões, vai encarar o novo público: agentes penitenciários e ex-colegas de Congresso. Entre recursos, ironias e grades, o caso serve de espelho para o Brasil: país onde passado e presente se misturam em novelas trágico-cômicas, e onde, quem diria, o Natal pode ser passado no xadrez.

Enquanto isso, redes sociais já especulam sobre quem será seu companheiro de cela e se o ex-presidente vai inaugurar uma nova moda no presídio: lives no refeitório, debates sobre política no banho de sol e, claro, selfies com a equipe da segurança. Para descontrair, talvez organize campeonatos de dominó ou até uma “CPI do Pão Dormido” nos corredores do complexo, tudo transmitido em tempo real para os fãs nostálgicos que ainda esperam pelo retorno do capitão.

O clima de expectativa está tão grande que até a ala dos ex-colegas congressistas já pensa em preparar kits de boas-vindas: terno listrado, chinelo de dedo e um manual de etiqueta carcerária. Afinal, tradição é tradição, e o brasileiro adora um roteiro de novela em que o mocinho cai, levanta e, quem sabe, vira meme nacional. Quem sabe o próximo capítulo seja um especial de fim de ano com direito a retrospectiva das melhores tentativas de habeas corpus negadas.

Fique atento: no Brasil, até dezembro, tudo pode acontecer. Mas, se depender do STF, o presente do ex-presidente já está embalado. Só falta mesmo decidir o laço: Papuda, PF ou quartel? Bem-vindo à república do improviso, Capitão.

E assim segue a ópera-bufa nacional: entre memes, recursos e grades, o Brasil prova mais uma vez que seu maior talento é transformar crise em espetáculo e político em personagem de novela. No fim das contas, resta a lição: aqui, o futuro é incerto, mas o roteiro, ah, esse ninguém supera. Prepare o controle remoto, porque o próximo episódio promete emoção, reviravolta, então fique de olho, até dezembro, tudo pode acontecer.

Parece que O STF já embrulhou o presente — só falta decidir se vai de laço azul, verde-e-amarelo ou direto no camburão. Bem-vindo ao Brasil, onde o improviso reina, o roteiro da novela nunca decepciona e, dessa vez, talvez o capítulo final tenha sabor de justiça irônica e aplauso coletivo. Aperte o cinto, prepare o controle remoto e entregue-se: porque aqui, o futuro é plot twist e, no fim, quem sabe finalmente a justiça vira meme — mas, pelo menos, um meme do lado certo da história.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 22/09/2025
  • Fonte: Sorria!,