Bolsonaro enquadra vice e assessor Ipiranga
'A palavra final é do meu pai', diz Flávio desautorizando o conselheiro econômico da campanha presidencial do PSL que põe “freio” em Mourão e Paulo Guedes
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 21/09/2018
- Autor: Redação
- Fonte: MIS Experience
Um dia após a crise aberta no entorno do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) pela divulgação da proposta tributária do seu assessor econômico, Paulo Guedes, um dos filhos do candidato, Flávio Bolsonaro, afirmou que a palavra final na campanha é de seu pai.
“Ele é o presidente (sic), mais ninguém”, frisou Flávio, que é deputado estadual e concorre ao Senado também pelo PSL. O parlamentar disse ainda que o candidato ao Planalto “jamais iria autorizar (Guedes) a falar na imprensa de CPMF”.
“A palavra final é do meu pai, sempre”, afirmou, em rápida entrevista em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A reportagem o questionava sobre a intenção do economista de unificar impostos em um tributo cobrado nos moldes da CPMF, extinta em 2007. A ideia causou mal-estar no mercado e levou o candidato, internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se recupera de uma facada, a tuitar que quer reduzir a carga tributária.
A reação do candidato a presidente e as afirmações de Flávio colocam em dúvida o discurso econômico do presidenciável. Até então, Bolsonaro dizia nada entender de economia e delegava o assunto a Guedes, a quem chamava de “Posto Ipiranga”, em alusão a uma campanha de publicidade. Agora, o presidenciável mostrou que vai, sim, intervir em assuntos econômicos.
Flávio disse que seu pai “ouve muito o Paulo Guedes”. “A palavra final é dele (do presidenciável), mas acho que eles chegam num ponto convergente, como tem acontecido direto agora”, afirmou. Ele disse também não saber se Guedes e seu pai conversaram previamente sobre a proposta tributária apresentada pelo economista.
O candidato ao Senado pelo Rio também declarou que não fala com Guedes “há um tempão” e afirmou que o economista “está sumido”. “Está fazendo as palestras dele.” Também minimizou a repercussão da proposta de Guedes nas redes sociais. “Ele pode falar alguma coisa que é mal interpretado; ele explica que não é aquilo, e vocês continuam acatando o negócio”, disse.
O incidente levou Bolsonaro pai a pedir que Guedes e também a seu candidato a vice, general da reserva Hamilton Mourão, reduzissem suas atividades eleitorais. Mourão causou constrangimento por declarações polêmicas.
MÁSCARA
Durante a sua rápida passagem por seu gabinete à tarde, Flávio recebeu um grupo de admiradores que lhe entregou uma máscara de borracha em tamanho real da cabeça de seu pai. Chegou a ensaiar vesti-la, mas desistiu. “O olho está todo branco, parece mórbida”, criticou, rindo. A cena foi filmada por admiradores da família Bolsonaro que estavam no ambiente do deputado.
PAULO GUEDES CANCELA PARTICIPAÇÃO EM EVENTO DA XP
Depois de cancelar participação em encontro com investidores no Credit Suisse, marcado para quinta-feira no fim da tarde, o ministro da Fazenda de Jair Bolsonaro Paulo Guedes cancelou, na manhã desta sexta-feira, seu compromisso na Expert XP eventos hoje.
MOURÃO EVITA IMPRENSA
Um dia após o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) determinar ao candidato a vice na chapa, Hamilton Mourão (PRTB), que reduzisse suas atividades eleitorais, o general da reserva evitou a imprensa nesta quinta-feira, 20, durante o debate promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo.
Pouco antes do evento, jornalistas foram informados de que a equipe de Mourão não queria que a imprensa participasse. A presença dos repórteres não foi impedida, mas apenas perguntas por escrito e previamente selecionadas foram aceitas.
Mais cedo, em Catanduva, a 385 quilômetros da capital, fechando o terceiro dia de seu giro de campanha no interior paulista, Mourão falou a um grupo de cerca de 300 pessoas em um clube privado. Pelo segundo dia seguido, também evitou a imprensa. Cercado por forte esquema de segurança, entrou e saiu do clube pelos fundos, sem contato com jornalistas. Ao Estado, a assessoria do candidato a vice chegou a anunciar que, após a palestra, ele concederia entrevista. O general da reserva, no entanto, recuou.
Após uma hora no evento, acompanhado pelo aliado Levy Fidelix (PRTB), Mourão deixou o local para acompanhar, em carro fechado, protegido por vidros escuros, a carreata até o centro da cidade, por 30 minutos. Na Praça da República, com uma concentração de cerca de 50 pessoas, fez breve saudação a militantes, e deixou a cidade.