Bolsonaro clama por inocência e fala em perseguição para tirá-lo de 2026

STF aceitou denúncia contra Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe.

Crédito: Ex-presidente Jair Bolsonaro.

No dia 26 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão unânime ao acatar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro e mais sete pessoas próximas a ele. Com essa deliberação, Bolsonaro se torna oficialmente réu em um caso que envolve acusações graves.

Os outros réus incluem figuras proeminentes como Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; tenente-coronel Mauro Cid, ex-chefe da Ajudância de Ordens da Presidência; general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

Entre as acusações contra os réus estão tentativas de derrubar violentamente o Estado democrático de direito, promover um golpe de Estado, causar danos ao patrimônio público e deteriorar bens tombados. Além disso, Bolsonaro é acusado de ser o líder de uma organização criminosa.

A defesa do ex-presidente não nega a existência de tentativas de golpe, mas afirma que ele não participou de nenhum ato ilícito. Em declarações à BBC News Brasil, o advogado Celso Vilardi afirmou: “Quando se fala de materialidade… estamos falando do 8 de janeiro, algo em que o presidente não esteve envolvido. Isso só aparece na denúncia porque nem mesmo no relatório da Polícia Federal surgiu”.

No tribunal, durante sua breve defesa, Vilardi reiterou que não era possível atribuir ao presidente o papel de líder das ações que ocorreram no dia 8 de janeiro. Após o encerramento do julgamento, Bolsonaro enviou uma mensagem a seus aliados, destacando 16 pontos sobre seu processo e alegando que a acusação representa uma perseguição política para barrar sua candidatura nas eleições presidenciais de 2026.

Na mensagem, Bolsonaro defendeu sua inocência e alegou que o processo carece de evidências concretas. Ele enfatizou que nunca buscou ou desejou a ruptura democrática e expressou sua indignação pelo que considera uma invasão à sua vida pessoal e política.

Além disso, ele mencionou a inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que impede sua participação em cargos eletivos até 2030. Em relação à pressão enfrentada por sua família devido à cobertura da mídia, citou o exemplo do filho Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os Estados Unidos por conta da perseguição.

Em sua defesa, Bolsonaro também argumentou que estava fora do Brasil no dia dos eventos e repudiou publicamente as violências ocorridas. Além disso, questionou a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes e levantou dúvidas sobre a competência do tribunal para julgar o caso. Essas questões preliminares foram apresentadas pelos advogados na véspera do julgamento e foram todas rejeitadas pelos ministros.

A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid também foi um ponto debatido pelos advogados como um argumento para anular as acusações contra Bolsonaro. Contudo, esse pedido foi igualmente negado pelo STF.

Após o término do julgamento, o ex-presidente dirigiu-se à imprensa para reiterar suas alegações sobre sua inocência e questionar a legitimidade das eleições brasileiras. Em um discurso fervoroso, insinuou irregularidades na condução das eleições presidenciais de 2022 e comparou sua situação à de opositores na Venezuela.

Na mesma semana em que o julgamento teve início, uma entrevista concedida por Bolsonaro ao jornal britânico Financial Times atraiu atenção internacional. Nele, declarou que o Brasil enfrenta uma “ditadura real” e solicitou apoio internacional para superar a crise atual.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 26/03/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA