Bolsonaro divulga carta e tenta conter crise na família e no PL
Documento lido por Flávio Bolsonaro reforça sua pré-candidatura à Presidência
- Publicado: 12/07/2026 13:48
- Alterado: 12/07/2026 13:48
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou uma carta, lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais, em que o apresenta como seu pré-candidato à Presidência da República e também como seu “porta-voz”. A manifestação ocorre em meio ao agravamento de divergências públicas dentro da família Bolsonaro e de aliados do partido.
Durante a leitura, Flávio afirmou que a definição busca evitar discursos conflitantes entre integrantes do campo político alinhado ao ex-presidente. Segundo o senador, a intenção é fortalecer uma atuação unificada diante do cenário eleitoral.
Jair Bolsonaro está preso desde agosto de 2025. Após cumprir quatro meses em regime fechado, passou para prisão domiciliar em março deste ano. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele também está proibido de utilizar redes sociais e possui restrições de visitas.
Divergências com Michelle Bolsonaro ganharam espaço nas últimas semanas
A divulgação da carta acontece após uma sequência de desentendimentos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
No fim de junho, Michelle publicou vídeos afirmando ter sido desrespeitada pelo enteado durante discussões relacionadas às articulações políticas do PL no Ceará. Segundo ela, Flávio reagiu de forma ríspida após divergências sobre a aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Ceará, e sobre o apoio da ex-primeira-dama ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Após a repercussão, Flávio negou ter humilhado Michelle, mas divulgou uma nota pedindo desculpas caso suas atitudes tenham sido interpretadas dessa forma. O senador afirmou que nunca teve a intenção de desrespeitá-la.
Mudanças no PL Mulher ampliaram o desgaste
Outro episódio que alimentou as especulações sobre a crise interna ocorreu em 30 de junho, quando Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher após entendimento com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto.
Dias depois, Valdemar extinguiu a presidência nacional do segmento feminino do partido, justificando que nenhuma sucessora estaria à altura da ex-primeira-dama. Posteriormente, integrantes da equipe de Michelle criaram um perfil nas redes sociais denominado “ImparáveisMB” para divulgar suas atividades.
Outros episódios evidenciaram a divisão no grupo
A tensão entre integrantes do grupo político já havia sido exposta em diferentes momentos ao longo dos últimos meses.
Em fevereiro, Michelle publicou uma imagem mostrando bananas fritas preparadas para Jair Bolsonaro, gesto interpretado por aliados do deputado federal Eduardo Bolsonaro como uma provocação, devido ao apelido usado por críticos contra o parlamentar.
Também houve divergências durante a disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Flávio Bolsonaro retirou o apoio à candidatura da deputada Soraya Santos (PL-RJ), decisão que recebeu críticas indiretas de Michelle, que manifestou apoio público à parlamentar.
Outra polêmica envolveu declarações do influenciador Paulo Figueiredo sobre o voto feminino. As falas geraram repercussão entre aliados do ex-presidente, levando Flávio Bolsonaro a afirmar publicamente que discordava das declarações.
Evento no Ceará teve nova manifestação de apoio
Na sexta-feira (11), durante um ato político no Ceará com a presença de Flávio Bolsonaro, o deputado federal André Fernandes (PL-CE) fez um discurso considerado uma indireta à ex-primeira-dama.
Sem citar Michelle nominalmente, o parlamentar afirmou que Jair Bolsonaro pertence aos apoiadores do movimento e não a uma pessoa específica, em referência ao apelido carinhoso utilizado pela ex-primeira-dama para se dirigir ao ex-presidente.
A divulgação da carta amplia o esforço para demonstrar unidade dentro do grupo político liderado por Jair Bolsonaro em meio às divergências públicas que marcaram os últimos meses e às movimentações para a disputa presidencial.