Bolsonaro avalia participar pessoalmente do julgamento no STF

Aliados veem presença como demonstração de força, mas saúde e política pesam na decisão

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está em conversações com seus aliados sobre a possibilidade de comparecer pessoalmente ao julgamento referente à suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fontes próximas a Bolsonaro revelaram que ele demonstrou interesse em estar presente em algumas das sessões do tribunal, onde teria a oportunidade de se confrontar com os ministros que considera adversários. No entanto, seus assessores alertam que questões relacionadas à saúde do ex-presidente podem dificultar essa intenção.

A presença de Bolsonaro na corte durante as etapas finais do julgamento, que poderá resultar em uma condenação de até 40 anos de prisão por suposta liderança em uma tentativa de golpe, é vista por seus apoiadores como uma demonstração de força e uma maneira de evitar a percepção de vulnerabilidade diante dos juízes.

O STF agendou o início do julgamento para o dia 2 de setembro, com previsão para conclusão até o dia 12. A proposta discutida entre seus aliados não é que ele assista a todas as sessões, mas que ao menos compareça no primeiro e no último dias do processo.

Como outros réus, Bolsonaro tem o direito de assistir ao julgamento. Contudo, devido ao fato de estar sob prisão domiciliar desde 4 de agosto, ele precisará solicitar autorização ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, conforme estipulado pelo Código de Processo Penal.

Nos dias que antecedem o início do julgamento, a decisão sobre sua presença se tornou um tópico central nas discussões entre os aliados e o próprio ex-presidente. A escolha final dependerá da análise política, das orientações da equipe jurídica e também das condições médicas do ex-chefe do Executivo.

Bolsonaro enfrenta crises esporádicas de soluço, que podem levar a vômitos, conforme relatos de pessoas próximas. Embora essas crises não sejam diárias, há preocupação com sua saúde, especialmente considerando que as sessões no STF costumam ser longas.

Desde que foi colocado em prisão domiciliar, Bolsonaro saiu apenas uma vez para realizar exames médicos. Um boletim médico recente confirmou que ele continua sob tratamento para hipertensão e refluxo alimentar e adota medidas preventivas contra broncoaspiração.

Aliados políticos defendem a importância da presença do ex-presidente no julgamento como um sinal de resiliência diante da pressão exercida pelo STF. Eles acreditam que tal atitude poderia reforçar a mensagem aos seus apoiadores de que ele não se rende às pressões judiciais, mesmo que a condenação pareça iminente.

No entanto, eles reconhecem um cenário repleto de incertezas, abrangendo desde as várias solicitações feitas por Moraes a Bolsonaro sobre o cumprimento das medidas cautelares impostas pelo Supremo até as condições emocionais e físicas do ex-presidente.

Caso decida comparecer ao tribunal, Bolsonaro repetirá uma estratégia já adotada durante o recebimento da denúncia em março deste ano, quando apareceu inesperadamente na corte e ocupou um lugar na primeira fileira. Ele se tornou réu alguns dias depois dessa visita.

A presença do ex-presidente no STF pode ser comparada à decisão tomada por Donald Trump no ano anterior, quando esteve presente durante seu julgamento em Nova York. É importante notar que, enquanto nos Estados Unidos a presença do acusado é obrigatória em processos penais, essa exigência não se aplica ao Brasil.

Se optar por não ir ao tribunal, Bolsonaro deverá acompanhar as sessões pela televisão em sua residência. Em prisão domiciliar, ele conta com a companhia da esposa Michelle, da filha Laura e da enteada Letícia. Seus filhos têm acesso livre à casa e devem ficar próximos dele durante esse período.

A tensão aumenta à medida que se aproxima o dia do julgamento. Relatos indicam que Bolsonaro está irritado e sente-se injustiçado com toda a situação.

As visitas ao ex-presidente estão limitadas a uma por dia e dependem da autorização do STF e do relator Moraes; nem sempre os solicitantes conseguem comparecer nas datas determinadas. Desde o dia 15 deste mês, Moraes não tem respondido às novas solicitações para visitas feitas pela defesa. Há um pedido específico para que autoridades do PL tenham prioridade nas visitas, já que Bolsonaro gostaria de se reunir com figuras como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Valdemar Costa Neto antes do início do julgamento.

Apenas familiares próximos têm permissão para visitá-lo sem necessidade de autorização prévia. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, frequentemente passa pela casa para tomar café da manhã com o pai e tem se tornado uma figura-chave na comunicação política da família.

Simultaneamente à aproximação do julgamento na corte, na última quarta-feira (21), a Polícia Federal indiciou tanto Jair quanto Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suspeitas relacionadas à obstrução das investigações sobre a trama golpista. O relatório incluiu troca de mensagens entre eles e o pastor Silas Malafaia que expunha discussões acaloradas e insultos, gerando desgaste político no grupo familiar.

Além disso, surgiram indícios de divergências significativas na abordagem política da família e uma desconfiança crescente por parte do deputado em relação ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), gerando reações adversas entre figuras proeminentes do espectro político conservador.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 25/08/2025
  • Fonte: FERVER