Aliados afirmam que Bolsonaro apoia Tarcísio, mas quer Michelle como vice

Apoio de Bolsonaro a Tarcísio depende da presença de Michelle como vice e união do centrão

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) relataram que ele manifestou disposição em apoiar Tarcísio de Freitas (Republicanos) como seu candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. No entanto, essa possível aliança está condicionada a duas exigências: a inclusão de Michelle Bolsonaro (PL) como vice na chapa e a capacidade de Tarcísio em unir as forças políticas dos partidos centristas e de direita.

Apesar dessa abertura, existem desafios significativos que precisam ser superados, incluindo a resistência de algumas legendas em aceitar o nome da ex-primeira-dama e incertezas sobre a vontade de Tarcísio em assumir essa posição. O governador paulista se reuniu com Bolsonaro nesta segunda-feira (29), durante uma visita ao ex-presidente que atualmente cumpre prisão domiciliar em Brasília e se encontra inelegível. Após o encontro, Tarcísio declarou à imprensa sua intenção de concorrer à reeleição em São Paulo em 2026, evidenciando seu foco no estado.

Bolsonaro havia se mostrado reticente em relação ao apoio a Tarcísio, temendo que isso pudesse relegá-lo a um papel secundário em meio ao processo judicial sobre o suposto golpe de Estado, além de relutar quanto à ideia de incluir sua esposa na chapa presidencial. Entretanto, relatos indicam que o ex-presidente deseja que seu nome figure na candidatura e acredita que Michelle desempenharia um papel crucial na mobilização da militância em torno de sua figura.

Se essa composição se concretizar, espera-se que Tarcísio troque o Republicanos pelo PL até dezembro deste ano. Contudo, um dos obstáculos para a formação da chapa é o fato de que Michelle também é cotada para uma candidatura ao Senado no Distrito Federal, e sua aceitação como vice não é unânime entre os partidos que compõem o espectro político desejado por Bolsonaro.

A expectativa entre os políticos do centrão é por uma candidatura de Tarcísio com respaldo de Bolsonaro, visando aproveitar seu capital eleitoral, mas sem um membro da família Bolsonaro na chapa, a fim de reduzir a rejeição associada ao sobrenome. Ciro Nogueira (PP), presidente do Partido Progressista, é um dos nomes que almejam ser o vice na eventual candidatura de Tarcísio. Entretanto, cresce a preferência por Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra e senadora.

A própria candidatura presidencial de Tarcísio não está isenta de dúvidas. Ele mencionou a pessoas próximas sua desmotivação frente à resistência interna, especialmente após declarações contrárias de Eduardo Bolsonaro e o impacto das ações do presidente Lula frente à crise econômica gerada por Donald Trump. Diante desse cenário, ele parece mais inclinado a buscar sua reeleição em São Paulo.

Após sua visita a Bolsonaro, Tarcísio reiterou sua intenção de concorrer à reeleição e discutiu com o ex-presidente estratégias para as eleições ao Senado no próximo ano. Enquanto isso, observadores políticos sugerem que essa postura pode ser uma maneira de manter-se fora do foco da atenção midiática e das críticas governamentais neste momento.

Além disso, Lula tem conquistado avanços significativos em sua agenda política no Congresso. Na última quarta-feira, por exemplo, foi aprovada pela Câmara uma proposta fundamental para suas próximas campanhas: a isenção do Imposto de Renda para indivíduos com renda mensal de até R$ 5.000. Essa proposta foi aprovada por unanimidade, recebendo votos até mesmo do PL de Bolsonaro.

Esses desenvolvimentos refletem uma mudança no clima político brasileiro e destacam os desafios e oportunidades enfrentados por lideranças tanto no campo bolsonarista quanto no governo atual.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 03/10/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo