Bolsonaro afirma que direita brasileira ainda o vê como principal nome
Em entrevista, ex-presidente reafirma protagonismo político, critica acusações de golpe e cita possível candidatura de última hora em 2026
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 22/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Na noite da última segunda-feira, 22, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reafirmou sua posição como figura central da direita na América do Sul durante uma entrevista ao SBT Brasil. Hospitalizado no DF Star, Bolsonaro se dirigiu à população, afirmando que nenhum outro candidato é desejado pela direita a não ser ele mesmo. O ex-mandatário também comentou sobre a possibilidade de sua inelegibilidade, que, segundo ele, representaria uma “negação à democracia”.
Liderança, eleições e acusações políticas
Ao ser indagado pelo apresentador Cesar Filho sobre suas ambições políticas futuras, Bolsonaro declarou-se o “maior líder da direita” não apenas na região, mas potencialmente em uma esfera global. Ele fez menção ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressando gratidão por sua influência e destacando que mesmo opositores reconhecem as lições sobre “política e família” adquiridas durante seu governo.
“A direita veio para ficar no Brasil e o mundo todo está marchando para a direita”, disse Bolsonaro, ao mesmo tempo em que negou qualquer participação em um plano golpista. Ele descreveu as acusações contra ele como “arbitrárias” e “políticas”, distantes de uma base técnica.
O ex-presidente também se manifestou sobre as eleições de 2026, reiterando que sua candidatura deve ser registrada na última hora. “O TSE tem poucas semanas para decidir. Até lá, espero estar mobilizando multidões pelo Brasil. A esquerda não terá um candidato razoável. Se for Lula, a situação piora ainda mais”, afirmou.
Embora tenha mencionado a existência de outros possíveis candidatos caso sua inelegibilidade persista, Bolsonaro se negou a citar nomes específicos e enfatizou a necessidade deles se apresentarem ao público para conquistar apoio. “Esses candidatos precisam rodar pelo Brasil e ganhar a simpatia da população. A maioria quer Jair Messias Bolsonaro como representante da direita”, concluiu.
Golpe, anistia e eventual prisão
Além disso, o ex-presidente rejeitou qualquer envolvimento em um suposto plano golpista que teria como alvo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros líderes políticos. Segundo Bolsonaro, tomou conhecimento desse plano apenas por meio de informações vazadas pela Polícia Federal e pela imprensa.
Ele desconsiderou a existência de uma “minuta do golpe”, ressaltando que discutir dispositivos constitucionais é parte do processo democrático. “Não podemos ser responsabilizados por algo que não está comprovado. Conversar sobre a Constituição não é crime”, defendeu.
A Polícia Federal identificou a conspiração em novembro passado durante a Operação Contragolpe, quando documentos detalhando o plano foram apreendidos com um general da reserva próximo ao ex-presidente.
Sobre a possibilidade de prisão, Bolsonaro expressou despreocupação: “Não tenho medo; não acredito que isso acontecerá nos próximos dias, pois não há motivo para tal”.
No que diz respeito ao projeto de anistia para os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro, Bolsonaro afirmou ter se envolvido sem intenção. Afirmou que o acordo feito entre ele e seu partido garantiu que a lei não afetasse sua inelegibilidade e observou que, caso aprovado, poderia beneficiar-se da anistia.
“O importante é dar liberdade aos que estão presos injustamente”, concluiu Bolsonaro, referindo-se às dificuldades enfrentadas por muitos dos detidos.