Bolsonaristas desocupam plenário do Senado após pressão de lideranças
Após pressão, bolsonaristas saem do plenário; Alcolumbre evita confronto e mantém a ordem na Casa
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 07/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Na manhã desta quinta-feira (7), os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que ocupavam o plenário do Senado desde terça-feira (5) abandonaram o local após negociações com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e líderes de outras bancadas partidárias.
O retorno à normalidade se deu logo após uma breve sessão presidida por Alcolumbre, na qual foi aprovada a correção da tabela do Imposto de Renda. Durante a ocupação, senadores como Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reivindicavam mudanças legislativas em resposta à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
Os manifestantes exigiam a votação de um conjunto de propostas denominado “pacote da paz“, que inclui a anistia para aqueles processados por envolvimento em atos golpistas, a extinção do foro especial e o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pela detenção do ex-presidente.
Fontes próximas ao ocorrido relataram que não houve um acordo formal entre Alcolumbre e os bolsonaristas, mas sim uma saída negociada com o apoio de senadores da oposição que mantêm boa relação com o presidente do Senado.
Os bolsonaristas deixaram o plenário afirmando ter conquistado uma vitória ao conseguir a 41ª assinatura necessária para o pedido de impeachment de Moraes. O senador Laercio Oliveira (PP-SE) foi persuadido a assinar o documento na manhã desta quinta-feira, contribuindo para esse resultado.
Além disso, havia preocupação entre os senadores em evitar episódios semelhantes aos ocorridos na Câmara dos Deputados na noite anterior, onde o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) enfrentou resistência ao tentar retomar sua cadeira.
Davi Alcolumbre obteve apoio das lideranças partidárias para evitar um confronto direto com os bolsonaristas, já que cenas de expulsão poderiam comprometer ainda mais a imagem desse grupo político.
Ao deixar o plenário junto à sua bancada, Rogério Marinho não esclareceu se houve alguma concessão específica feita por Alcolumbre. Ele enfatizou que negociações normalmente não resultam em uma aceitação total das pautas. “Normalmente não é 100% que é alcançado“, destacou.
Os senadores reafirmaram que sua principal conquista foi a obtenção das assinaturas para o impeachment de Moraes, mas ressaltaram que a continuidade desse processo depende exclusivamente da decisão do presidente do Senado. Na quarta-feira, Alcolumbre havia afirmado que não pautaria qualquer proposta de impeachment.
Marinho indicou que a prioridade atual é a anistia, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados. Em resposta sobre as concessões feitas por Alcolumbre para que os bolsonaristas deixassem o plenário, ele declarou: “Quem ganhou com isso foi o povo brasileiro”.
Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo, reforçou que não houve qualquer tipo de acordo entre os bolsonaristas e Alcolumbre. Na quarta-feira, o presidente do Senado participou de duas reuniões sobre a situação; uma delas contou com o respaldo das lideranças das demais bancadas para resolver a ocupação e outra foi destinada exclusivamente aos bolsonaristas.