Bolsa Família: trabalho formal não garante superação da pobreza para beneficiários
Mesmo com emprego formal, milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para garantir o básico e superar a pobreza. Histórias de vida e dados alarmantes revelam a precariedade e a importância de políticas públicas integradas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 12/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Aos 32 anos, Ingrid Evangelista de Lima, moradora de Diadema (SP), exemplifica o dilema de milhões de brasileiros. Após perder o emprego por estar grávida, enfrentou mais de um ano sem trabalho e sustentou suas filhas apenas com o Bolsa Família. Hoje, como auxiliar de limpeza em um Cras, seu salário mínimo cobre despesas básicas, mas ela ainda depende do benefício para medicamentos e alimentação.
Casos como o de Ingrid ilustram os desafios apontados por dados recentes: 10,06 milhões de brasileiros entre 16 e 59 anos recebem o Bolsa Família, sendo que 38% possuem algum tipo de emprego, mas permanecem na pobreza ou extrema pobreza. Entre eles, 1,19 milhão tem carteira assinada, mas enfrenta dificuldades para garantir o básico.
Elvis Cesar Bonassa, diretor da Kairós Desenvolvimento Social, ressalta que o emprego formal não é suficiente para superar a vulnerabilidade. Ele sugere políticas públicas integradas, como cooperativas comunitárias e a ampliação do programa de Aprendizagem para públicos mais vulneráveis.
No campo, trabalhadores como Cleusa Assis, de Pernambuco, enfrentam a sazonalidade. Durante a safra, encontram trabalho, mas o restante do ano é marcado por incertezas. Para Cleusa, o Bolsa Família é uma ajuda essencial: “É pouco, mas até conseguir algo mais seguro, faz diferença.”
Enquanto isso, Maria Nazareth Garcia, de Guarulhos, mostra uma visão otimista. Beneficiária durante a pandemia, hoje comemora a estabilidade como auxiliar de cozinha: “Agora quero continuar trabalhando para garantir meu sustento.”
A situação evidencia que, mesmo com renda, a precariedade ainda é uma realidade para milhões, levantando o debate sobre salários dignos e políticas de assistência mais eficazes.