Bolívia encerra ciclo da esquerda e terá segundo turno inédito

Resultado das urnas surpreende e coloca oposição no centro da disputa presidencial após duas décadas de domínio do MAS

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Pela primeira vez em 20 anos, o Movimento ao Socialismo (MAS), partido liderado historicamente por Evo Morales, ficou de fora da corrida presidencial na Bolívia. Os resultados preliminares do primeiro turno, divulgados no domingo (17), apontaram Rodrigo Paz Pereira e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga como os candidatos mais votados, com 32,08% e 26,94%, respectivamente.

A exclusão do MAS simboliza um momento histórico na política boliviana. Desde 2006, o partido vinha comandando o país, mas as disputas internas entre Evo Morales e o atual presidente, Luis Arce, além do enfraquecimento das bases sociais, reduziram seu peso eleitoral.

A ascensão inesperada de Rodrigo Paz

A grande surpresa da eleição foi o desempenho de Rodrigo Paz Pereira, senador de Tarija, que aparecia apenas em terceiro lugar nas pesquisas. Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, ele conseguiu ultrapassar Samuel Doria Medina, favorito até então, que terminou em terceiro lugar com 19,93% dos votos.

Após o resultado, Doria Medina anunciou apoio a Paz Pereira, reforçando a união das forças de oposição. O ex-presidente Quiroga também comemorou o avanço ao segundo turno, classificando a eleição como “a mais importante dos últimos 40 anos”.

Fragmentação da esquerda e crise econômica

A esquerda boliviana entrou fragilizada na disputa. Andrónico Rodríguez, presidente do Senado e ex-aliado de Evo, recebeu apenas 8,11% dos votos, enquanto Eduardo del Castillo somou 3,14%. Além disso, cerca de 19% do eleitorado atendeu ao apelo de Evo Morales e optou pelo voto nulo como forma de protesto.

A crise econômica aprofundou o desgaste do governo. Com reservas em dólares praticamente esgotadas, queda nas exportações de gás e inflação que chegou a 25% em julho, o descontentamento popular ampliou o espaço para candidatos da oposição.

O que vem pela frente

Como nenhum candidato atingiu mais de 50% dos votos válidos ou 40% com dez pontos de vantagem, a Bolívia realizará o segundo turno em 19 de outubro, o primeiro desde a Constituição de 2009. O eleito assumirá a Presidência em 8 de novembro, com mandato de cinco anos.

O próximo governo terá como desafios imediatos a recuperação econômica, as negociações sobre o lítio e a formação de alianças no Parlamento. Para os bolivianos, a eleição representa não apenas uma mudança de rumo político, mas também a esperança de superar a instabilidade dos últimos anos

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 18/08/2025
  • Fonte: Sorria!,