BNDES libera R$ 250 mi para restaurar 19 mil hectares

Projeto da re.green usará Fundo Clima e deve evitar 1,27 milhão de t de CO2 por ano.

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou um novo financiamento de R$ 250 milhões para a re.green. O montante é destinado à restauração ecológica e ao plantio de mudas nativas em uma área total de até 19 mil hectares.

A iniciativa abrangerá áreas críticas dos biomas Amazônia e Mata Atlântica. O anúncio da concessão, que utiliza recursos do Fundo Clima, ocorreu nesta quarta-feira, 12, durante um painel do BNDES na COP30, realizada em Belém (PA).

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Impacto em seis estados

O projeto abrange seis estados: Maranhão, Pará e Tocantins (Amazônia), além do Vale do Paraíba no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo (Mata Atlântica). O apoio do BNDES corresponde a 35,4% do investimento total previsto.

O cronograma prevê a conclusão da restauração em 2028. O impacto climático é significativo: a partir de dezembro de 2030, estima-se que o projeto remova mais de 1,27 milhão de toneladas de CO2-equivalente por ano.

Em termos de geração de renda, o empreendimento deve criar 2.850 postos de trabalho temporários (950 diretos e 1.900 indiretos) durante a implantação. Após a conclusão, a expectativa é de 390 empregos permanentes (78 diretos e 312 indiretos).

Parceria estratégica pela bioeconomia

Este novo financiamento se soma a um contrato anterior, firmado em janeiro de 2024, de R$ 187 milhões para 15 mil hectares. Com isso, as operações conjuntas entre o BNDES e a re.green já totalizam R$ 437 milhões para a recuperação de 34 mil hectares.

“Este projeto confirma o que sempre defendemos: restaurar florestas é uma das formas mais eficientes e baratas de combater as mudanças climáticas, com geração de emprego e renda”, frisou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Como diz o presidente Lula, é preciso garantir o sustento econômico das populações locais para que elas possam proteger as florestas”.

Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, destacou o papel do Fundo Clima na nova economia. “O avanço dessas operações demonstra como o Fundo Clima vem se consolidando como um instrumento estratégico para alavancar a nova economia de restauração e bioeconomia no Brasil. Estamos fortalecendo um setor essencial para o futuro do país: capaz de gerar emprego, renda e benefícios ambientais – e desenvolvendo mecanismos financeiros que tornam a restauração de florestas nativas uma oportunidade real de investimento sustentável”, afirma.

A restauração florestal é uma das grandes oportunidades de impacto positivo da nossa era e o Brasil tem as condições ideais para liderar esse movimento global. A parceria com o BNDES é um marco nesse caminho: mostra que é possível construir mecanismos financeiros sólidos para escalar a restauração de nativas e transformar capital em regeneração. Cada hectare restaurado representa um ativo climático, ecológico e social de longo prazo”, avalia Thiago Picolo, CEO da re.green.

O Fundo Clima e o Arco da Restauração

A área-âncora do projeto é a fazenda Ipê, de 3,9 mil hectares, em Paragominas (PA). O plantio no local, iniciado em janeiro de 2024, deve ser concluído até maio do próximo ano.

A iniciativa é viabilizada pelo Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Desde sua reformulação em 2023, que direcionou royalties de petróleo para o setor, o BNDES já aprovou R$ 1,9 bilhão do fundo para projetos de restauração, concessões de parques e silvicultura nativa.

O projeto também está alinhado ao “Arco da Restauração”, que visa recuperar 6 milhões de hectares no “Arco do Desmatamento” até 2030, exigindo investimentos de US$ 10 bilhões para remover 1,65 bilhão de toneladas de CO2.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 12/11/2025
  • Fonte: Fever