BNDES identifica riscos e oportunidades na guerra comercial global
Segundo Mercadante, essa situação traz tanto riscos quanto oportunidades para o Brasil.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 10/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Na última quinta-feira (10), Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), expressou suas preocupações e expectativas em relação à guerra tarifária iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Mercadante, essa situação traz tanto riscos quanto oportunidades para o Brasil.
Os setores agropecuário e industrial brasileiros podem se beneficiar das novas tarifas impostas pelos EUA, que visam proteger sua economia ao taxar produtos importados. Embora Trump tenha suspendido a cobrança adicional para a maioria dos países por um período de 90 dias, as tarifas sobre os produtos chineses permanecem elevadas, com taxas superiores a 100%.
Durante uma conversa com jornalistas após um seminário sobre cooperativismo na sede do BNDES, localizada no Rio de Janeiro, Mercadante destacou que a economia brasileira necessita de previsibilidade. Ele criticou a abordagem unilateral de Trump, que foi caracterizada pela falta de negociações prévias e pelo desrespeito às instituições multilaterais de comércio, resultando em significativa instabilidade econômica e financeira global.
“É certo que esse processo gerará pressão inflacionária para diversas nações, além de um choque externo global que poderá atrasar investimentos”, afirmou Mercadante. Ele também alertou para as possíveis consequências da guerra comercial entre Estados Unidos e China, duas potências econômicas que podem sofrer “muitas sequelas” desse conflito. O presidente do BNDES observou que, até o momento, a América Latina se manteve relativamente intocada.
Mercadante ressaltou que, embora existam riscos associados à instabilidade econômica atual, também surgem oportunidades. Ele mencionou especificamente a agricultura e a pecuária como setores com potencial para crescimento diante da abertura de novos mercados, impulsionados pela demanda por segurança alimentar global. O Brasil, sendo um país pacífico e com boas relações internacionais, pode se destacar nesse contexto.
O presidente do BNDES também fez referência à recuperação da posição do Brasil no ranking internacional de desempenho industrial, agora ocupando a 25ª posição. Ele destacou o potencial do país na produção de bens de alto valor agregado, como aeronaves e veículos híbridos, além da crescente presença de centros de pesquisa e desenvolvimento.
Além disso, Mercadante enfatizou a força do mercado interno brasileiro como um diferencial importante em um cenário global onde o protecionismo tende a aumentar. “Temos um mercado interno robusto que é fundamental para nosso crescimento”, acrescentou.
Por fim, ele sugeriu que o Brasil deve buscar alianças estratégicas com parceiros que também enfrentam os impactos das políticas protecionistas americanas, como México e Canadá. A aproximação com esses países pode ser crucial para enfrentar os desafios impostos pela nova realidade comercial. Mercadante também mencionou a expectativa de uma colaboração mais estreita com a União Europeia e outros países do Sul Global.
A reunião anual dos Brics está programada para ocorrer nos dias 6 e 7 de julho de 2025 no Rio de Janeiro, reafirmando o papel do Brasil como líder entre nações emergentes.