BNDES destina R$ 25,7 bilhões para recuperação de municípios do RS atingidos por tempestades

Recursos custearam mais de 8,5 mil operações de crédito

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a alocação de R$ 25,7 bilhões em recursos voltados para a recuperação de 464 municípios do Rio Grande do Sul, severamente afetados por tempestades que ocorreram entre abril e maio deste ano.

Entre junho e a semana passada, o banco mobilizou esses fundos para realizar 8.568 operações de crédito, além de mais de 5 mil operações de garantia e a suspensão de pagamentos em aproximadamente 72 mil contratos, evidenciando um esforço significativo para mitigar os impactos das intempéries.

Os recursos destinados às operações de crédito foram provenientes do Fundo Social, por meio do programa BNDES Emergencial, que isoladamente alocou cerca de R$ 17,17 bilhões para amparar empresas gaúchas impactadas pela catástrofe climática. Deste total, R$ 11,8 bilhões, correspondendo a 69%, foram direcionados a micro, pequenas e médias empresas.

Além disso, o Programa Emergencial de Acesso a Crédito Solidário, utilizando o fundo FGI Peac Crédito Solidário RS como garantidor, possibilitou a geração de R$ 3,76 bilhões em operações de crédito junto às instituições financeiras parceiras. Isso resultou em 5.040 financiamentos aprovados, abrangendo uma vasta gama de empreendedores.

A suspensão dos pagamentos em contratos de financiamento atingiu um montante de R$ 4,77 bilhões. Deste total, cerca de R$ 3,97 bilhões – ou aproximadamente 75% – foram direcionados a microempresas e pequenas empresas, bem como a produtores rurais.

As informações sobre essas iniciativas foram divulgadas na última terça-feira (17) em Porto Alegre pela diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), Maria Fernanda Coelho, juntamente com o secretário nacional para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul (SEARS), Maneco Hassen.

Os recursos do BNDES foram disponibilizados através de três modalidades distintas: capital de giro para atender necessidades imediatas; aquisição de máquinas e equipamentos para reestabelecer a capacidade produtiva; e investimentos voltados à reconstrução de instalações físicas como fábricas e armazéns. Os setores industrial, comercial e de serviços representaram aproximadamente 52% das operações realizadas.

O BNDES destacou alguns casos emblemáticos em sua nota oficial, como os R$ 1,4 bilhão concedidos à RGE Sul Distribuidora de Energia. Esta empresa é responsável por atender cerca de 7,1 milhões de pessoas e por fornecer aproximadamente 65% da energia elétrica consumida no estado. O banco também financiou R$ 265 milhões para a recuperação do Aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto Alegre; R$ 373 milhões para o Terminal Marítimo Luiz Fogliatto (Termasa); e R$ 125 milhões em capital de giro à concessionária Viasul para reestabelecer o tráfego em sua rede interrompida por bloqueios.

Em declaração sobre os impactos positivos das operações emergenciais do BNDES, o banco ressaltou que algumas dessas ações não apenas ajudaram na preservação dos empregos existentes mas também contribuíram para a criação de novas oportunidades. Um exemplo notável é o da Astória Indústria de Papéis que recebeu R$ 54,7 milhões repassados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para a modernização e reconstrução do seu parque industrial em Gravataí. O novo maquinário permitirá dobrar a produção e aumentar o número de empregos diretos na empresa.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 17/12/2024
  • Fonte: Farol Santander São Paulo