Blocos de SP se unem em ato simbólico contra crise no Carnaval

Com megafaixa na Rua da Consolação, tradicionais blocos exigem diálogo e políticas públicas para garantir desfiles em 2026.

Crédito: Frâncio de Holanda

Os blocos de São Paulo decidiram romper o silêncio e realizar uma manifestação inédita em defesa da maior festa popular da capital. Em um posicionamento público contundente contra a falta de recursos e a pressão crescente enfrentada pelas agremiações, uma megafaixa foi instalada na varanda da Laje do Baixo, voltada para a Rua da Consolação, com a mensagem: “RESPEITEM OS BLOCOS DE SÃO PAULO”.

Agremiações históricas e de grande apelo popular, como Baixo Augusta, Casa Comigo, Tarado ni Você, Agrada Gregos e Charanga do França, uniram seus estandartes em uma manifestação coletiva. O movimento ocorre em um momento crítico, onde dezenas de blocos tradicionais enfrentam uma disputa desigual por espaço e financiamento, colocando em risco o caráter democrático do carnaval paulistano.

A ameaça do cancelamento e a invasão comercial

A iniciativa dos blocos surge em meio a uma crise de viabilidade. Enquanto megablocos com orçamentos milionários dominam as avenidas principais, as agremiações comunitárias lutam para custear itens básicos de segurança e logística. O risco de cancelamento é real para muitos cortejos que formam a essência cultural da cidade.

Os pontos centrais da reivindicação incluem:

  • Respeito aos territórios: Manutenção dos trajetos históricos nos bairros.
  • Financiamento justo: Revisão do modelo de patrocínio que privilegia apenas o topo da pirâmide.
  • Políticas Públicas: Cobrança por um diálogo transparente com a Prefeitura para garantir a diversidade.

O Carnaval como patrimônio em risco

Para os organizadores, o carnaval de rua de São Paulo não é apenas um evento turístico, mas um patrimônio cultural e democrático. A união de agremiações como Minhoqueens, Domingo ela não Vai, Bloco do Tatuapé e o centenário Bloco Esfarrapado mostra que a insatisfação atinge todos os perfis de folia. A crítica recai sobre a “comercialização excessiva”, onde a lógica dos megablocos acaba por sufocar a diversidade dos blocos menores.

“Este ato reafirma a importância da nossa história e cobra um novo modelo de gestão”, afirmam os coletivos. A preocupação é que, sem o devido suporte, o carnaval de São Paulo perca sua espontaneidade e se torne um produto padronizado, afastando as comunidades que construíram a festa ao longo de décadas.

Mobilização dos blocos de São Paulo para 2026

Com a fixação dos estandartes na Rua da Consolação, os blocos esperam que o poder público e a iniciativa privada revejam as estratégias de apoio antes do início oficial do pré-carnaval. A economia criativa da cidade depende diretamente da saúde financeira desses grupos, que movimentam o comércio local e geram renda para milhares de trabalhadores informais e artistas.

A mensagem deixada na Laje do Baixo ecoa como um alerta para 2026: para que a folia continue sendo o maior espetáculo de cidadania da capital, o respeito aos blocos deve ser a prioridade número um das autoridades paulistanas.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 03/02/2026
  • Fonte: FERVER