Black Friday expõe fragilidade digital do E-commerce

Data de alto faturamento, como a Black Friday, testa limites da operação e revela riscos cibernéticos que podem custar a reputação de lojas.

Crédito: Freepik

A Black Friday transformou-se em um rigoroso teste de estresse para o varejo online. O evento, que já movimentou R$ 9,38 bilhões em vendas, segundo a Neotrust, vai muito além das promoções: ele expõe a fragilidade digital do e-commerce no Brasil. O pico de tráfego, concentrado em poucas horas, cria o cenário ideal para falhas técnicas e, principalmente, ataques cibernéticos.

Os números confirmam o risco. Durante a última Black Friday no Brasil, a plataforma Hora a Hora (Confi.Neotrust e ClearSale) registrou 17,8 mil tentativas de fraude, evitando R$ 27,6 milhões em golpes. O país figurou entre os dez mais visados por cibercriminosos. Com a previsão de que o comércio eletrônico movimente R$ 234,9 bilhões em 2025, segundo a ABComm, a pressão sobre a infraestrutura digital só aumenta.

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O Custo da Desconfiança: Vendas Perdidas em Segundos

Para especialistas, o evento tornou-se um divisor de águas, capaz de ampliar o mercado ou comprometer a reputação de uma marca em horas. A fragilidade digital do e-commerce durante a Black Friday é um gargalo que afeta diretamente a conversão.

Esses dados recentes mostram um cenário que exige atenção. Velocidade e confiança são o que define a conversão. Se o site trava ou se o consumidor desconfia do ambiente de pagamento, a venda se perde em segundos”, resume Wagner Elias, CEO da Conviso, empresa do setor de segurança de aplicações.

Segundo o especialista, a vulnerabilidade muitas vezes se esconde em pontos críticos, como APIs expostas, subdomínios esquecidos e servidores desatualizados. “O problema é que muitos lojistas ainda enxergam segurança como um selo exibido no rodapé da página. Na prática, é muito mais que isso: é o que sustenta a operação com varreduras contínuas de vulnerabilidades, camadas de proteção que bloqueiam ataques antes que cheguem ao site e certificados de criptografia de alta validação“, aponta Elias.

A Preparação Antecipada como Fator Decisivo

Para o CEO da Conviso, o planejamento é o único caminho para atravessar o período de alta demanda sem prejuízos.

Na Black Friday, o tempo de reação é mínimo. Se a empresa espera o problema aparecer para agir, já está atrasada. O planejamento prévio é a única forma de evitar perdas financeiras e danos de reputação”, afirma.

A Conviso, que recentemente adquiriu a Site Blindado, foca em soluções que vão da proteção básica a certificações avançadas. “com a aquisição conseguimos entregar soluções desde a proteção básica até certificações como a PCI-DSS, obrigatória para quem lida com um determinado volume de dados de cartão de crédito. Isso dá ao cliente a garantia de que está comprando em um ambiente confiável“, reforça.

Black Friday expõe fragilidade digital do E-commerce
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A procura por soluções preventivas meses antes da Black Friday tem crescido. As medidas mais comuns para reduzir a fragilidade digital do e-commerce incluem scans de vulnerabilidades, checagem da superfície de ataque e a implementação de Web Application Firewall (WAF) — que bloqueia invasões em tempo real — e CDN (Content Delivery Network), que distribui o conteúdo para manter a performance.

As empresas já estão percebendo que priorizar investimentos em marketing e estrutura de vendas de nada adianta se a segurança ficar em segundo plano. Esse desequilíbrio cria um gargalo invisível: o consumidor chega à página de checkout, mas desiste por falta de confiança ou por instabilidade do site”, afirma.

Quatro Medidas Práticas para Reduzir Riscos

O CEO destaca quatro medidas essenciais para reduzir vulnerabilidades e fraudes no varejo online durante a Black Friday, diminuindo a fragilidade digital do e-commerce:

  1. Plataforma de pagamento segura: Utilizar apenas gateways reconhecidos e certificados previne phishing e clonagem.
  2. Autenticação em duas etapas: Implementar o método em transações e acessos ao sistema dificulta invasões.
  3. Capacitação de colaboradores: Treinar equipes para identificar tentativas de fraude é crucial.
  4. Monitoramento de transações: A análise em tempo real permite detectar atividades suspeitas rapidamente.

Elias enfatiza que o debate sobre a fragilidade digital do e-commerce deixou de ser técnico para se tornar estratégico e financeiro. “Estudos de mercado já mostravam que empresas que sofrem incidentes de segurança levam, em média, 60 dias para recuperar a confiança do consumidor, tempo suficiente para perder participação em um mercado altamente competitivo“, diz.

“Hoje, segurança digital é um pilar estratégico. Um site protegido e estável vale tanto quanto uma boa negociação de preços ou um sistema de logística eficiente”, ressalta o executivo.

Embora a percepção de risco esteja mudando, o amadurecimento ainda é gradual, especialmente fora dos grandes centros. A lição da Black Friday é clara: a fragilidade digital do e-commerce é um obstáculo direto à conversão.

No fim, o que a Black Friday mostra é que o carrinho cheio só vira faturamento se houver confiança. E confiança, no digital, custa menos do que uma fraude ou um site fora do ar”, conclui.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/10/2025
  • Fonte: Sorria!,