Biometano em São Paulo recebe investimento sueco de R$ 5 mi
Parceria internacional financia estudos para novos gasodutos e biofertilizantes, fortalecendo a transição energética e a economia verde no estado.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A expansão da infraestrutura de biometano em São Paulo acaba de ganhar um novo impulso estratégico com o aporte de capital estrangeiro. Nesta quinta-feira (22), o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), oficializou uma parceria com o Swedfund International AB. A instituição financeira sueca destinará aproximadamente R$ 5 milhões a fundo perdido para viabilizar estudos técnicos no setor.
O acordo foca no dimensionamento de novos gasodutos e na criação de modelos de negócios para o “digestato”. Este subproduto, rico em nutrientes e gerado durante a digestão anaeróbica, possui alto valor comercial como biofertilizante. A iniciativa visa transformar plantas de biogás em hubs de geração de valor, integrando energia limpa e agronegócio sustentável.
A relevância do biometano em São Paulo vai além da questão energética. Segundo Natália Resende, secretária da Semil, o projeto é uma ferramenta vital para a redução de gases de efeito estufa.
“A colaboração tem relevância em razão do elevado potencial de produção em território paulista. O projeto também está alinhado ao Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e ao Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050).”
Potencial do biometano em São Paulo atrai capital externo
O Swedfund possui histórico de investimentos sustentáveis em nações em desenvolvimento. A escolha pelo estado paulista reflete a maturidade do mercado local. Maria Håkansson, CEO da instituição, destaca que a parceria busca promover o uso eficiente do biogás e facilitar a transição para tecnologias limpas no transporte público.
A cooperação atual dá continuidade a trabalhos anteriores que analisaram a viabilidade do combustível a partir de resíduos de saneamento e aterros sanitários. O objetivo agora é fornecer ferramentas de planejamento estratégico para que o mercado possa expandir as redes de distribuição e acomodar volumes crescentes de gás renovável.
Para consolidar o mercado de biometano em São Paulo, a regulação estatal tem desempenhado um papel decisivo na atração de investidores privados e na segurança jurídica dos projetos.
Regulação e TUSD-Verde
A agência reguladora ARSESP publicou, em dezembro de 2025, uma norma fundamental para o setor. A medida viabiliza a interconexão de plantas produtoras à rede de gás canalizado. O mecanismo central é a TUSD-Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde).
Com essa tarifa, os custos operacionais e investimentos necessários para conectar as usinas à rede são remunerados exclusivamente pelos fornecedores do combustível. Isso garante que a expansão do uso de biometano em São Paulo ocorra com competitividade, sem onerar os demais usuários do sistema e mantendo a modicidade tarifária.
Dados econômicos e impacto industrial
Um levantamento detalhado contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com apoio da SEMIL, mapeou a força desse mercado. Os números revelam uma capacidade robusta de transformação econômica baseada na bioenergia.
Principais conclusões do estudo:
- Capacidade Produtiva: Potencial de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d).
- Empregos: Geração estimada de até 20 mil postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos.
- Concentração: Mais de 80% do potencial está no setor sucroenergético (vinhaça, palha e bagaço).
- Meio Ambiente: Redução de até 16% nas emissões de carbono ao substituir parcialmente o diesel.
A consolidação dessa cadeia produtiva posiciona o estado na vanguarda da economia circular. Com a infraestrutura adequada, o biometano em São Paulo deixa de ser apenas uma promessa sustentável para se tornar um pilar central da matriz energética e do desenvolvimento industrial brasileiro.