Big techs devem investir US$ 600 bi em IA e geram pânico no mercado
Plano de gastos bilionários para 2026 levanta dúvidas sobre rentabilidade e futuro das empresas de software diante da nova tecnologia.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 09/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
O mercado financeiro enfrenta uma onda de nervosismo crescente diante das novas estratégias agressivas do Vale do Silício. As Big techs projetam um pacote colossal de US$ 600 bilhões em investimentos para a “corrida da IA” até 2026, cenário que acendeu o alerta vermelho entre investidores globais. Analistas agora questionam os efeitos reais sobre a rentabilidade futura e identificam ameaças tangíveis aos modelos de negócios tradicionais de software.
A reação imediata nas bolsas reflete esse temor. A Amazon viu suas ações despencarem mais de 5% na última sexta-feira (6), logo após anunciar um aporte de US$ 200 bilhões. O movimento de cautela se estendeu à Alphabet, controladora do Google, que recuou 2,51% ao informar que seus gastos de capital podem dobrar ainda este ano. A Meta Platforms seguiu a tendência negativa, com queda de 1,31%.
No entanto, o cenário não é uniforme. Enquanto algumas gigantes sofrem correções severas, as fornecedoras de infraestrutura para essa nova era digital, essenciais para as Big techs, continuam a prosperar:
- Nvidia: Alta de 7,87%.
- Tesla: Ganho de 3,50%.
- Microsoft: Avanço de 1,90%.
Apesar dessas altas pontuais, os índices gerais sentiram o peso da incerteza. O S&P 500 e o Nasdaq fecharam a semana em queda, embora tenham registrado leves altas diárias de 1,97% e 2,18%, respectivamente.
“O mercado entende que a aposta na expansão da IA — e a forma como esses ganhos foram antecipados por muitos anos — ficou cara demais. Não é que essa tese tenha acabado, mas ela ficou cara demais ao antecipar receitas futuras sem considerar adequadamente os riscos.”
— Andrew Wells, diretor de investimentos da SanJac Alpha.
Big techs ameaçam setor de análise de dados
A pressão vendedora não se restringiu às empresas que constroem a infraestrutura. O setor de análise de dados e software sofreu um golpe duro, perdendo cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde o final de janeiro. O índice S&P 500 de software e serviços caiu quase 8% na semana.
O catalisador para essa venda massiva foi o lançamento de um novo plug-in do Claude, modelo avançado da Anthropic. Investidores temem que a capacidade dessas ferramentas de IA, financiadas pelas Big techs, torne obsoletos os serviços de análise tradicionais.
O impacto foi global e imediato:
- Thomson Reuters: Queda de 0,64% (após recuo recorde no início da semana).
- RELX (Londres): Queda de 4,6%, acumulando perdas de quase 17% na semana.
- London Stock Exchange Group: Desvalorização acumulada de quase 8%.
A estrategista de ações da St. James’s Place, Carlota Estragues Lopez, aponta que manchetes antes celebradas agora geram cautela. Segundo ela, o risco reside em uma liderança de mercado excessivamente concentrada em poucas empresas de grande valor.
Correção global e a penalidade pelo gasto excessivo
O efeito cascata atingiu mercados emergentes. Na Índia, ações de exportadoras de software caíram mais de 2%, eliminando US$ 22,5 bilhões em valor de mercado em uma única semana. O índice global da MSCI recuou 0,14%, evidenciando que a volatilidade gerada pelas Big techs não respeita fronteiras.
O paradoxo atual é claro: o mercado exige crescimento, mas pune o investimento necessário para obtê-lo. A Alphabet, por exemplo, apresentou desempenho operacional sólido impulsionado pela nuvem. Mesmo assim, suas ações chegaram a cair 8% durante o pregão após a divulgação do aumento de gastos, antes de estabilizarem.
Analistas como Aarin Chiekrie, da Hargreaves Lansdown, observam que nem mesmo resultados operacionais acima do esperado conseguem desviar a atenção dos investidores dos custos exorbitantes. Para o mercado, o cheque de US$ 600 bilhões assinado pelas Big techs representa, por enquanto, mais risco do que oportunidade.