Bienal do Livro reúne histórias, autores e novos leitores
Bienal do Livro reúne autores, quadrinistas, famílias, jovens e leitores de diferentes gerações em São Paulo, com destaque para novos livros, histórias, cultura pop e incentivo à leitura
- Publicado: 08/09/2026 12:44
- Alterado: 08/09/2026 12:56
- Autor: Carlos Enriki
A 28ª Bienal do Livro de São Paulo reúne autores, quadrinistas, leitores e famílias em uma programação que vai além da venda de livros. Durante a visita ao evento, o público encontra desde escritores que apresentam novos trabalhos até artistas que construíram suas trajetórias na internet e agora levam seus personagens para as páginas impressas.
Entre os destaques encontrados pela reportagem do ABC do ABC estão o coletivo de autoras do livro Protagonistas, o quadrinista Wesley, criador de histórias que ganharam grande alcance nas redes sociais, e Júnior, responsável por Café com Deus Pai, obra que alcançou milhões de leitores.
Mulheres do ABC ganham espaço em Protagonistas
O livro Protagonistas reúne histórias escritas por diferentes mulheres e nasceu da colaboração entre autoras, incluindo representantes da região do ABC. Durante a Bienal, as escritoras destacaram a importância da construção coletiva da obra e da possibilidade de uma mulher incentivar outras por meio de suas experiências.
A publicação reúne relatos relacionados a vulnerabilidades, dificuldades, conquistas e histórias de mulheres que podem servir de inspiração para outras leitoras.

A editora Bianca Brandão também é da região do ABC, assim como algumas das autoras. O lançamento oficial do livro está previsto para dia 9 de Setembro e dia 23 de setembro, no Marco Zero, na região do ABC.
A participação na Bienal também representa um momento importante para as escritoras. Elas destacaram a emoção de autografar uma obra em um dos principais eventos literários do país e de encontrar leitores interessados em literatura e conhecimento.
Wesley transforma personagens da internet em livros
Outro nome entrevistado pelo ABC do ABC foi o quadrinista Wesley, que começou a publicar seus desenhos na internet ainda adolescente. Em 2013, aos 16 anos, ele publicou sua primeira tirinha no Facebook e, segundo o próprio autor, alcançou cerca de 1 milhão de seguidores em dez meses.
A trajetória digital posteriormente ganhou espaço no mercado editorial. Depois de produzir pequenas tirinhas, Wesley lançou Apocalipse das Capivaras, seu primeiro livro de maior extensão.

A história acompanha uma versão do próprio autor viajando no tempo para impedir que capivaras destruam a humanidade. O personagem também deu origem a outros projetos, entre eles Psicopato, sobre um pato que precisa enfrentar o Vinganço, personagem inspirado no patinho feio.
O próximo projeto do quadrinista deve ser protagonizado por Ebert, um sapo cujo único diálogo é justamente a repetição de seu nome. O roteiro ainda estava em desenvolvimento durante a entrevista.
Para Wesley, a Bienal de São Paulo também representa um ponto importante de sua carreira. Foi no evento, há dois anos, que ele teve seu primeiro contato com uma grande feira literária e passou a se apresentar oficialmente como autor.
Café com Deus Pai aproxima literatura e espiritualidade
A reportagem também conversou com Júnior, autor de Café com Deus Pai. Segundo ele, a obra já ultrapassou a marca de 10 milhões de exemplares vendidos, resultado que superou suas expectativas iniciais.
O autor explica que a proposta do livro é criar um momento diário de reflexão e aproximação com Deus. A ideia utiliza o café como símbolo de encontro e intimidade, relacionando a rotina de sentar à mesa com a busca por uma relação mais próxima com a fé.

A produção editorial também se expandiu para diferentes faixas etárias. Júnior passou a publicar livros voltados ao público infantil e juvenil, abordando temas como identidade e bullying.
O autor relaciona essa produção à própria experiência de infância e afirma que pretende levar às crianças mensagens que contribuam para a construção da autoestima e da identidade. A coleção inclui conteúdos direcionados a crianças de até oito anos e adolescentes de até 13 anos, além das publicações voltadas ao público adulto.
Famílias levam crianças para descobrir a literatura
A presença de crianças e famílias também chama atenção durante a Bienal. A reportagem encontrou Francine, professora que veio do interior de São Paulo acompanhada pelos filhos e sobrinhas.
Segundo ela, a iniciativa de visitar o evento partiu das próprias crianças. Para a educadora, encontrar um grande público interessado em livros representa uma experiência positiva e reforça a importância de estimular o hábito da leitura desde cedo.
Entre as jovens entrevistadas estavam Ana Clara e Maria Fernanda, que contaram sobre os livros que já leram e destacaram Príncipe da Desastrada entre os favoritos. As duas também mostraram a quantidade de exemplares adquiridos durante a visita à Bienal.
A diversidade de públicos aparece justamente como uma das características da feira. Crianças, adolescentes, adultos e leitores mais experientes dividem os mesmos espaços em busca de livros, autores e novas histórias.
Com diferentes trajetórias reunidas no mesmo ambiente, a Bienal do Livro de São Paulo mostra que o interesse pela leitura também passa pela descoberta de novos autores, pelo contato direto com escritores e pela experiência compartilhada entre diferentes gerações. A programação ainda permite que artistas que começaram no ambiente digital encontrem espaço no mercado editorial e que famílias transformem a visita ao evento em uma experiência de leitura.
Jovem destaca importância da leitura coletiva
A estudante Helena chamou atenção durante a cobertura do ABC do ABC ao contar que mantém um clube de literatura com amigos da escola e levou algumas colegas para a Bienal. Incentivada pela professora Cássia, ela busca conhecer novos autores e ampliar seus horizontes por meio dos livros.
Para Helena, a leitura também ganha força quando é compartilhada. Segundo ela, um mesmo livro pode despertar diferentes reflexões, o que torna a troca de ideias entre leitores parte importante da experiência literária. Entre suas recomendações está o escritor russo Fiódor Dostoiévski, que considera uma porta de entrada para conhecer uma visão de mundo diferente