BHP é condenada em Londres por desastre em Mariana

A BHP foi condenada por colapso da Barragem de Fundão em Mariana, com riscos previsíveis. A empresa planeja recorrer.

Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil

A mineradora britânica BHP foi condenada pelo Tribunal Superior de Justiça de Londres, nesta sexta-feira (14), em decorrência do rompimento da Barragem de Fundão, localizada na cidade de Mariana, Minas Gerais. A empresa, que é acionista da Samarco, entidade responsável pelo desastre, enfrentará sanções financeiras ainda não especificadas.

BHP condenada por rompimento da Barragem de Fundão:

A decisão judicial inglesa ressalta que “o risco de colapso da barragem era previsível”. A corte destacou que havia sinais evidentes de saturação nos rejeitos e ocorrência de infiltrações e fissuras. Nesse contexto, a continuação do aumento da altura da barragem foi considerada imprudente, principalmente na ausência de uma análise escrita adequada sobre a estabilidade e os riscos envolvidos.

O relatório apresentado na corte indicou que um teste de estabilidade teria revelado falhas significativas no fator de segurança. “É inconcebível que se tenha decidido elevar a altura da barragem sob tais circunstâncias; o colapso poderia ter sido evitado”, afirmou o tribunal.

Mariana - Desastre - Barragem - BHP
Léo Rodrigues/Agência Brasil

Em resposta à decisão, a BHP comunicou sua intenção de recorrer. A mineradora reiterou seu compromisso com o processo de reparação no Brasil e a implementação do Novo Acordo do Rio Doce. A empresa mencionou que já foram desembolsados cerca de R$ 70 bilhões em indenizações aos afetados pela tragédia, beneficiando mais de 610 mil pessoas, das quais aproximadamente 240 mil estão incluídas na ação judicial em andamento no Reino Unido e já receberam quitações integrais.

A BHP também declarou que acredita nas iniciativas tomadas no Brasil como sendo o método mais eficaz para reparar os danos causados tanto às pessoas afetadas quanto ao meio ambiente. Uma nova audiência está agendada para o primeiro semestre de 2027, onde será definida a multa a ser paga pela empresa. A fase seguinte, que determinará as indenizações individuais, está prevista para ocorrer apenas em 2028.

Recentemente, em 5 de outubro, a tragédia que ocorreu em Mariana completou dez anos. O colapso da Barragem de Fundão resultou no despejo de grandes quantidades de rejeitos minerais, contaminando rios e afetando cidades vizinhas, além de causar a morte de 19 pessoas.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 14/11/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping