BC tem só 9 servidores para segurança do Pix em meio a prejuízos bilionários
Ataques cibernéticos desviaram R$ 1,5 bilhão em três meses por pix; especialistas apontam falta de pessoal
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 07/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Banco Central (BC) conta atualmente com apenas nove servidores dedicados à segurança do Pix, sistema que movimenta cerca de R$ 2 trilhões por mês e atende mais de 160 milhões de brasileiros. Essa equipe é responsável por zelar pela integridade de 919 participantes, entre instituições financeiras e prestadores de serviço. A desproporção entre a estrutura disponível e o volume de operações tem sido apontada por auditores como uma fragilidade na proteção do sistema.
Nos últimos três meses, ataques cibernéticos direcionados ao Pix resultaram em prejuízos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão para instituições financeiras. Parte das invasões explorou brechas nos chamados PSTIs (Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação), empresas intermediárias entre bancos menores e o sistema de pagamentos instantâneos.
Novas medidas para reforçar a segurança
Em resposta aos incidentes, o BC anunciou novas regras. Entre elas, o limite de R$ 15 mil para operações via Pix e TED realizadas por instituições de pagamento não autorizadas ou conectadas por meio de PSTIs. Valores acima desse teto serão automaticamente bloqueados. Além disso, foi estabelecida a exigência de capital mínimo de R$ 15 milhões para credenciamento de prestadores e antecipado o prazo para regularização de instituições não autorizadas.
Mesmo com os ajustes, servidores afirmam que a falta de pessoal segue como um gargalo. Atualmente, enquanto 11 servidores trabalham em pautas de inovação, como o Pix parcelado, e 12 cuidam da operação diária, apenas nove permanecem na segurança. Quando houve vazamentos de dados em 2023, todos os funcionários da área de pagamentos instantâneos foram deslocados para reforçar a proteção — algo que não se repetiu nos recentes ataques.
Pressão por autonomia e reforço no quadro de servidores
A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central defende a aprovação da PEC do Pix (PEC 65/2023), que transformaria o BC em instituição de natureza especial, com autonomia administrativa, orçamentária e financeira. A mudança permitiria maior flexibilidade na contratação de servidores e reduziria a dependência do orçamento federal, apontada como entrave para investimentos em tecnologia e segurança.
Nos últimos dez anos, o quadro de servidores da autarquia caiu 33%, o que representa 1.693 funcionários a menos. Embora concursos tenham sido retomados, seis dos 100 novos contratados já deixaram o órgão para assumir outros cargos. A dificuldade em manter profissionais e garantir monitoramento 24 horas do sistema preocupa a categoria.
Críticas e apelos do setor financeiro
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reconhece o sucesso do Pix, mas tem alertado para o risco de instituições menores se tornarem porta de entrada para golpes. O pleito da entidade por regras mais rígidas foi atendido parcialmente pelo BC, que agora limita transações de empresas não reguladas.
Especialistas também apontam que o crime organizado tem migrado de assaltos a bancos para ataques virtuais, fenômeno apelidado de “cangaço digital”. Para conter essa ameaça, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou ser favorável a aspectos da PEC que ampliam a autonomia do Banco Central. “A instituição precisa de orçamento próprio para fortalecer a parte regulatória e dar conta da supervisão de um número crescente de instituições financeiras”, afirmou.